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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Homem, que ficou preso no lugar de irmão, é finalmente libertado

 Segunda, 15 de Fevereiro de 2021


O homem saiu da prisão por conseguir progressão de pena para o regime aberto. O processo de revisão criminal ainda será feito pela Justiça.

Alex é auxiliar de limpeza e morador de São Vicente, no litoral de São Paulo. Em 16 de dezembro de 2020, quando estava indo trabalhar, foi preso em uma blitz policial perto de sua casa.

Segundo declarou, ele mesmo percebeu o engano quando conversava com os policiais dentro da viatura, a caminho da delegacia. Neste período, ele perdeu o emprego e passou por três cadeias.

"Meu coração gelou, eu nunca tive problema com a Justiça. O policial disse que tinha um homicídio na minha ficha, e foi aí que veio uma coisa na minha mente. Devia ter sido meu irmão, porque estava por lá [em Aracaju], na época do crime".

Após assinar o mandado de prisão, Alex passou a noite na Delegacia Sede de São Vicente. No dia seguinte, foi conduzido à cadeia anexa do 5º DP de Santos, onde ficou por mais 12 dias. Depois, foi encaminhado ao Centro de Progressão Penitenciária de Mongaguá para começar a cumprir a pena em regime semiaberto. Durante esse tempo, Alex acabou por perder seu emprego.

"Imagina o horror. Nunca me imaginei em um lugar daquele. Me desculpe a palavra, mas era nojento. Sem higiene, esgoto à céu aberto. Até mesmo aqueles que devem pagar pelos seus erros imaginam que seja uma coisa mais digna", desabafou.

As advogadas Maria Alice Ramos de Castro e Marcia Renata Silva Simões Santos assumiram o caso no dia seguinte à prisão de Alex. Durante as apurações do ocorrido, elas descobriram que, no momento do flagrante do crime, em 2010, Tiago da Conceição Oliveira se apresentou como Alex, que até então tinha ficha criminal limpa.

"Tivemos acesso aos autos [do processo] e, na identificação do réu, era a foto de Tiago que aparecia, com o nome de Alex", contou Maria Alice.

Tiago, usando o nome do irmão, passou um ano preso em Aracaju (SE) pelo crime. No entanto, ao longo do processo, o juiz concedeu liberdade provisória a ele, já que pela ficha de Alex, ele seria réu primário. Como o preso não precisou apresentar nenhum RG, a falha na identificação demorou tantos anos para ser identificada. Elas, então, passaram a ir atrás de provas testemunhais e documentais que pudessem provar que, na época do crime, Alex estava morando na Baixada Santista.

Tiago também assinou uma escritura de confissão, na presença de um cartorário, admitindo ter cometido o crime e usado o nome do irmão para se livrar da prisão. "Ele colaborou com tudo o que precisamos para ajudar o irmão", contou a advogada.

Atualmente, Tiago está detido na Penitenciária I de São Vicente, condenado por outros crimes cometidos na região.

Mesmo tendo ficado preso por dois meses no lugar do irmão, e tendo, agora, que comprovar o erro na identificação para limpar seu nome, Alex diz ter perdoado o irmão:

"Perdoo ele com o coração aberto, sem falsidade nenhuma. Se tivesse encontrado ele na penitenciária, teria feito o mesmo. Andado com ele pelo pavilhão, para cima e para baixo. Agora que vi como é a situação lá dentro, estou disposto a ajudar ele a superar isso", disse.


Fonte: Jornal da Cidade Online 

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