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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Lula “dilmou”, segundo Henrique Meirelles

 Terça, 22 de Novembro de 2022



O neologismo “dilmou”, aplicado a Lula foi, que eu saiba, cunhado por Henrique Meirelles. Ele se referia ao propósito de Lula obter, ainda nesta legislatura, autorização para arrebentar o Teto de Gastos, figura jurídica incluída na Constituição pelo próprio Meirelles, durante o governo Temer.

A pressa de Lula em obter autorização para furar o Teto Constitucional, decorre do fato de que o próximo Congresso pode não ser tão receptivo à esbornia financeira proposta pelo ex-presidiário. Isto é o que se espera da próxima legislatura, a menos que Lula e sua turma criem um Mensalão, coisa não muito difícil de imaginar. Afinal, como diz a sabedoria popular, cesteiro que fez um cesto, pode fazer um cento. E da construção deste tipo de cesto Lula é especialista inconteste: já construiu os dois mais medonhos cestos da História das democracias ocidentais: Mensalão e Petrolão.

Dono de um currículo invejável, Meirelles já foi, entre outras coisas, presidente do BankBoston, presidente do Banco Central do Brasil (de 2003 a 2011) e Ministro da Economia de Michel Temer, entre 2016 e 2018.  Foi neste período que Meirelles criou o Teto de Gastos, uma das mais necessárias e fundamentais medidas financeiras para a sanidade das finanças do País, o controle inflacionário e da dívida pública, ao barrar a gastança demagógica, ilimitada e irresponsável de governantes brasileiros.

Até aqui, tudo bem. Só não dá para entender (Freud explica?) que este homem bem formado, Meirelles, tenha apoiado Lula no segundo turno. Ele não conhecia o irresponsável? Não ouviu o seu discurso de campanha em favor do descontrole fiscal, discurso que não é novo, já fora feito até na Argentina da Cristina Kirchner.

Não viu o que Dilma aprontou? E Dilma, Meirelles, não é Dilma, ela é Lula, seguiu a receita do ex-presidiário. Não, Meirelles, não foi Lula que “dilmou”. Lula sempre foi Dilma, ou o contrário; a ordem não importa.

Parece que a lente convergente de Meirelles, como falou Nietzsche lá em cima, é excessivamente poderosa a ponto de apagar sua memória e o fazer ver o irresponsável político, Lula, de uma forma fofa, séria e responsável.

Os mesmos comentários feitos acima, ‘mutatis mutandis’ servem a economistas como Pedro Malan, Edmar Bacha e Armínio Fraga que, como Meirelles, apoiaram o ex-presidiário no segundo turno e agora mandam preocupada cartinha a ele ressaltando a importância da responsabilidade fiscal.

Com esses três a coisa fica ainda mais estranha porque o PT infernizou, sob a batuta de Lula, o todos os dois governos de FHC - do qual Malan, Bacha e Fraga fizeram parte - e chegou até a presentar, em 1999, um pedido de impeachment de FHC alegando (vejam só!) crime de responsabilidade fiscal. E esses notáveis economistas esquecem tudo e poiam Lula no Segundo Turno! Patético! Vá lá que a memória seja uma faculdade que esquece, mas, ‘modus in rebus’, não tanto assim, que isto não fica bem em pessoas intelectualmente ilustres.

Mas o pior e o que mais me dói é ver pessoas ilustres, cultas e honradas recomendar apoio a um corrupto provado em dois processos crimes - julgados em todas as instâncias judiciais - e que só está livre por uma artimanha malandra do STF. A História certamente não fará justiça àqueles ministros lenientes e irresponsável que criaram a candidatura de Lula, coisa impensável em um País razoavelmente civilizado. Eu não entendo como essas pessoas (falo de Malan, Bacha e Fraga, fique claro) – supostamente do bem – explicarão aos seus filhos e netos a opção por um irresponsável (financeiramente falando), corrupto (nem o STF jamais negou isto!) e ex-presidiário.

Lula, já abalou o Mercado com sua insistência no rompimento do Teto Constitucional de gastos. A reação do irresponsável? Esta, de arrepiar os cabelos: “Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência.” Esta frase, esta pérola de irresponsabilidade foi produzida por Lula durante a Conferência do Clima da ONU (COP27), em no resort de altíssimo luxo em Sharm El-Sheikh, no Egito.

A propósito, falemos um pouco sobre esta viajem de Lula àquele piquenique caríssimo, em Sharm El-Sheikh.

Na segunda-feira (14/11), Lula embarcou para o Egito. Foi acompanhado da esposa Janja e outras figuras. (Janja sempre me faz lembrar do romance de Mario Vargas Llosa, intitulado “Pantaleão e as visitadoras”. Por que será?)

Para a viagem, Lula utilizou um jato de propriedade do milionário José Seripieri Júnior, mais conhecido como Júnior da Qualicorp.

Seripieri, que voltou a prestar favores para o ‘amigo’ Lula, já fora preso na Operação Lava Jato. Depois, fez um acordo, virou delator e pagou uma multa de R$ 200 milhões.

Lula, que agora mais do que nunca acredita piamente na impunidade, certamente se prepara para voltar a delinquir e, nesse sentido, já recebe favores dos velhos amigos. E favores ilícitos! Segundo o artigo 317 do Decreto Lei no 2.848 de 07/12/1940:

“Art. 317 Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2(dois) a 12(doze anos e multa)”

Mas Lula não está preocupado. Aliás, ele está em seu elemento natural. A sua impunidade é garantia ‘suprema’ do STF.

DUAS OBSERVAÇÕES FINAIS:

1. Por enquanto Lula viaja com sua mulher, Janja, às expensas de um indivíduo ‘mui amigo’. Pior era quando ele viajava no avião presidencial – portanto, às expensas do contribuinte – não com a esposa e Primeira Dama da época, Marisa Letícia -, mas com a amante Rosemary Noronha, a Rose. Segundo reportagem da época, Rose conheceu 24 países viajando a bordo do avião presidencial, junto com as comitivas presidenciais. Se a bandalheira vai se repetir a partir de janeiro de 2023, não se sabe. Talvez a idade não ajude, sei lá ... Mas, aqui entre nós, ter votado neste esculacho moral, Lula, é demonstração de falta de apreço pela decência e moralidade públicas. Repito, não sei como esses eleitores terão coragem de explicar seu voto aos filhos e netos.

2. Lula participou da COP27 no Egito. COP é abreviação para ‘Conference of Parties’, um encontro organizado pela ONU para discutir as variações climáticas globais. Imagino que Lula deve ter repetido a lição que já dera no Brasil sobre a importância do clima: “O clima é importante” - segundo aquela incompetência climática – “porque a Terra é redonda e gira. Se fosse quadrada, ou retangular” – prosseguiu a ignorância alada – “então a poluição criada em um lugar permaneceria no local, sem se propagar a outros.” Acho que foi esta demonstração de saber profundo sobre clima – entre outros saberes, claro - o que levou muitos docentes universitários a votar em Lula.

Triste realidade, esta que vive o Brasil.

Foto de José J. de Espíndola

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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