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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Mudanças em prioritários por estados e municípios atrapalham vacinação, diz Queiroga

Terça,27 de Abril de 2021


por Natália Cancian |Folhapress

Mudanças em prioritários por estados e municípios atrapalham vacinação, diz Queiroga
Foto: Anderson Riedel/PR

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou nesta segunda-feira (26) as mudanças feitas por estados e municípios nos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19. Ele disse que as alterações atrapalham a estratégia de imunização no país e fez um apelo para que a ordem prevista no plano nacional seja seguida.

"Se nós respeitássemos o Programa Nacional de Imunizações [PNI] conforme pactuado na tripartite [comissão que reúne União, estados e municípios], ele seria melhor", disse, ao citar o ritmo de vacinação.

"Ocorre que, às vezes, muda-se a orientação na bipartite [estados e municípios] para incluir um grupo ou outro, e isso termina por alterar a harmonia do nosso programa e atrapalha o processo de vacinação. Então é até um apelo que eu faço. Nós sabemos que, no afã de contribuir com a vacinação, às vezes se pressiona para botar um grupo prioritário ou outro. Todos têm razão em querer ter a vacinação o mais rápido possível, mas, às vezes, isso atrapalha o nosso PNI", afirmou em audiência no Senado.

Ainda segundo o ministro, o atraso na chegada de insumos para produção de vacinas tem gerado preocupação em alguns estados sobre a oferta da segunda dose da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan. Agora, a pasta avalia uma nova recomendação sobre o tema.

"Há cerca de um mês se liberaram as segundas doses para que se aplicassem, e agora, em face do retardo dos insumos vindos da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose. E, como esta semana não temos previsão de chegada de vacina do Butantan, só daqui a cerca de dez dias, vamos emitir uma nota técnica acerca desse tema."

O ministro não informou, porém, o que deve constar na nota técnica e qual medida pode ser aplicada.

Ele criticou a possibilidade de judicialização para garantia de oferta das doses, citando como exemplo decisão da Justiça Federal que determinou ao ministério, governo e prefeitura a garantia de aplicação das doses em João Pessoa (PB). "Se todos judicializarem, não há doses para todo mundo", disse.

O jornal Folha de S.Paulo questionou o Ministério da Saúde sobre o que pode mudar com a nota técnica, mas ainda não teve retorno. Segundo membros da pasta ouvidos pela reportagem, uma das possibilidades em análise é reforçar a recomendação de reserva do volume enviado para segunda dose.

Ainda na audiência, Queiroga rebateu críticas sobre a diferença entre o número de doses enviadas e aplicadas de vacinas contra a Covid e disse ter pedido mudanças à equipe no modelo de divulgação dos dados, "para que não gere tanto calor em relação a essa questão".

"Tudo o que não precisamos neste momento é de polêmica", disse. Até o momento, o país já distribuiu cerca de 57 milhões de doses --destas, 37 milhões já constam em sistema da pasta como aplicadas.

"Isso gera uma discussão. 'Ah, onde estão essas doses? Não foram aplicadas?'. A maior parte foi aplicada. Algumas também são dose 2, e estão guardadas, e outras não chegaram aos municípios, porque há um delay de cerca de dez dias para que essas doses, uma vez entregues, sejam distribuídas", afirma.

Queiroga também voltou a comentar sobre o cronograma divulgado pela pasta no sábado (24), o qual reduziu em 31% a previsão de entrega de doses de vacinas contra Covid em maio.

Até então, o cronograma anterior previa 46,9 milhões de doses para o próximo mês, enquanto o atual prevê 32,4 milhões de doses.

Segundo ele, a mudança ocorre devido à decisão da pasta de retirar do cronograma a previsão de doses das vacinas Covaxin e Sputnik, ainda não aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e pelo atraso na chegada de insumos usados pela Fiocruz e Butantan para produção das doses.

Questionado pelos senadores, o ministro negou que haja dificuldades diplomáticas para liberação dos insumos e atribuiu o atraso a entraves na produção do material.

"São questões administrativas e não diplomáticas. Se houve isso no passado, está superado", disse.

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