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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Brasil condena ataque dos EUA à Venezuela na ONU e alerta para colapso da ordem internacional

Terça, 06 de janeiro de 2026

Foto: Timothy Clary / AFP

O Brasil condenou duramente, nesta segunda-feira, a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York. Em discurso, o embaixador brasileiro Sergio Danese afirmou que a ação representa uma violação grave da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, além de criar um precedente considerado extremamente perigoso para a estabilidade da ordem global.

Segundo o diplomata, o bombardeio em território venezuelano e a captura do presidente do país ultrapassam limites inaceitáveis e configuram uma afronta direta à soberania nacional. Danese ressaltou que o uso da força só é admitido em situações estritamente previstas pela Carta da ONU e alertou que a normalização desse tipo de ação abre caminho para um cenário de violência, desordem e enfraquecimento do multilateralismo.

O representante brasileiro citou dados globais para ilustrar os impactos do colapso das regras internacionais, como o recorde de 61 conflitos armados ativos no mundo, mais de 117 milhões de pessoas em crises humanitárias e gastos militares que se aproximam de US$ 2,7 trilhões. Ele afirmou que interesses políticos, econômicos ou geopolíticos não podem justificar intervenções armadas ou a derrubada ilegal de governos.

Danese também destacou que a América Latina e o Caribe são historicamente uma zona de paz e que o uso da força na região remete a intervenções passadas que resultaram em regimes autoritários e graves violações de direitos humanos. Para o embaixador, a agressão à Venezuela é um episódio sem precedentes recentes na América do Sul, envolvendo um país que faz fronteira direta com o Brasil.

Ao final, o diplomata defendeu uma reação firme do Conselho de Segurança e reforçou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente por seu povo, por meio do diálogo e sem interferência externa. Segundo ele, permitir que a “lei da força” se sobreponha ao direito internacional ameaça não apenas um país, mas toda a comunidade internacional.

Com informações do O Globo

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