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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Alunos de medicina da UFRJ são expulsos por fraude em cotas raciais

Domingo, 07 de Fevereiro de 2021


Foto: Brenno Carvalho / Agência O GLOBO

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tomou esta semana uma decisão inédita: 21 alunos do curso de medicina, do quarto ao décimo período, foram expulsos sob a acusação de terem fraudado o sistema de cotas étnico-raciais. Além deles, outros 6 estudantes de outros cursos também tiveram suas matrículas canceladas pelo mesmo motivo.

Outros 53 estão prestes a perder a vaga devido à mesma irregularidade.

No processo, a comissão analisa os traços fenotípicos do aluno, como cor de pele e tipo de cabelo. Esta decisão de expulsar os alunos veio após o Conselho Universitário (Consuni), órgão máximo da UFRJ, discutir as sanções em casos de fraudes. Em dezembro, foi deliberado que, verificada a inconsistência entre a autodeclaração e a condição de fato do aluno, sua matrícula seria cancelada e que os autos, enviados ao Ministério Público Federal.

Os alunos com a matrícula cancelada podem recorrer da decisão. Mas, enquanto isso, perdem o vínculo com a UFRJ.

— De forma alguma, podemos compactuar com fraudes no acesso às vagas nos cursos de graduação da maior universidade federal do país — disse a pró-reitora de Graduação da UFRJ, Gisele Pires Viana.

A denúncia, acolhida há dois anos na gestão de Roberto Medronho, então diretor da Faculdade de Medicina, foi feita por um grupo de alunos negros que se sentiram lesados por terem colegas brancos ocupando as vagas de forma ilegal. Criada em junho de 2019 e composta por 54 membros dos diferentes segmentos da universidade, a Comissão de Verificação de Fraudes abriu, então, 168 processos para investigar as informações.

Em 88 casos, os alunos foram considerados aptos a participarem do sistema de cotas e ficaram com suas vagas. Mas a comissão decidiu que os outros 80 não têm direito ao benefício. Desses, 27 processos foram concluídos, e o restante ainda a aguarda a finalização de pendências documentais.

O Globo

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