martins em pauta

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Aparições de OVNIs nos céus do Brasil entre 1952 e 2010. Veja o que os militares sabem sobre o assunto – e o que ninguém consegue explicar

Quarta,17 dfe Abril de 2019


(Otávio Silveira/Superinteressante)

Segunda-feira, 15 de novembro de 2010 – Aeroporto Eduardo Gomes, Manaus – 9:55 PM

Segundona de feriado prolongado. O suboficial Soares provavelmente preferiria estar descansando. Mas ele estava de plantão, trabalhando na torre de controle do aeroporto. Um olho no radar, outro nas janelas, até que algo chamou sua atenção no céu. Ao longe, lá no alto, uma leve trilha de condensação se formava, embora fosse muito difícil enxergar o objeto que estava produzindo a mancha que riscava o céu. Como controlador de tráfego aéreo, Soares estava mais do que acostumado a observar os diferentes rastros que as aeronaves deixam no ar. Só que aquilo parecia diferente.

Ele pegou um binóculo e observou. Não, não era um avião. Na ponta da trilha de condensação havia um objeto metálico, aparentemente grande e escuro. Voava mais alto do que os aviões de carreira e era maior do que um Boeing 747. O mais estranho era o formato do objeto – quase como duas asas soltas no espaço, formando uma espécie de V.

Soares mostrou o objeto aos dois operadores que estavam com ele na torre, além do meteorologista que também estava lá. Depois de 15 minutos, o objeto sumiu. Às 22h05, seguindo o procedimento padrão da Aeronáutica, Soares reportou o avistamento ao Cindacta 4, um dos quatro Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Estava aberto mais um registro no “Arquivo X brasileiro”.

Gol, Varig e OVNIs

Objetos voadores não-identificados são uma constante na história da aviação. É isso o que indicam os registros oficiais da Força Aérea Brasileira, que desde 1952 mantém arquivos confidenciais catalogando todos os avistamentos de objetos voadores não-identificados nos céus do País. São mais de 2.600 páginas de documentos, que recentemente começaram a ser liberados pelos militares – e hoje estão em Brasília, no Arquivo Nacional, no qual a SUPER pôde consultá-los. O episódio do suboficial Soares faz parte do lote mais recente de documentos. O que torna esse caso interessante é que um avistamento igualmente sinistro havia sido feito apenas dois dias antes.

Às 8h20, um avião da empresa aérea Gol voava a cerca de 135 km de Manaus. Ele estava subindo, elevando sua altitude de 23 mil pés (cerca de 7.600 metros) para 37 mil pés (12.300 metros) quando algo estranho aconteceu. O piloto e o copiloto avistaram uma luz muito forte se deslocando em alta velocidade, acima e à frente de sua aeronave. A ocorrência foi registrada no Cindacta 4 como “tráfego hotel” – eufemismo aeronáutico que significa OVNI. Estariam os dois avistamentos, tão próximos no espaço e no tempo, de alguma forma ligados? Quem, ou o quê, estaria por trás da movimentação de objetos não-identificados na região amazônica? Os registros da Aeronáutica estão cheios de casos misteriosos e sem explicação. São relatos impressionantes, inclusive pela credibilidade – seus autores não são pessoas comuns, que sempre podem estar imaginando coisas. Os relatos são feitos por pilotos, controladores de voo e oficiais militares, pessoas que têm treinamento para identificar e reconhecer todos os fenômenos atmosféricos normais. Se mesmo eles acham que há algo de anormal, é porque há.

EXPLICÁVEIS E INEXPLICÁVEIS

No dia 21 de agosto de 2003, às 22h30, o piloto do voo Varig Log 9063 consultou o Centro de Controle de Área de Curitiba sobre um objeto não-identificado, que voava à direita do avião, um pouco mais alto que a aeronave. “Ele está aqui, está parado agora, ele está acompanhando a gente, está parado aparentemente, na subida ele estava vermelho, todo vermelho, aí ele foi mudando, branco, vermelho, branco, vermelho, agora ele está todo branco, entendeu?”, disse o piloto, nitidamente desconfortável com a situação. Os aviadores, sejam civis ou militares, não gostam de reportar esse tipo de avistamento – embora sejam instruídos pelo controle de tráfego aéreo a fazê-lo. Alguém na base (não fica claro se é o centro de controle em Curitiba) responde de forma bem-humorada: “É Colorado!” (referência ao Internacional, que usa uniforme branco e vermelho). O objeto continua acompanhando o avião da Varig, e o piloto parece arrependido de ter relatado o ocorrido. “Afirmativo, pode… pode ser um monte de coisa, pode ser um planeta, uma estrela, qualquer coisa, o que pegou foi a mudança de cor aqui, só isso.” Mas o relato viria a ser confirmado por outro piloto, do voo Varig 8630, que às 23h14 também informou o avistamento. “É, o que eu avisto aqui pa… parece uma estrela.” No radar, não havia nada.

As aparições de OVNIs são relativamente numerosas no Brasil. Em 2010, último ano a ter as informações liberadas, a Aeronáutica registrou seis casos. Um dos mais impressionantes ocorreu no dia 23 de setembro. O comandante de outro avião da Gol viu um objeto com brilho aparente duas vezes maior do que Vênus (astro mais brilhante no céu, fora o Sol e a Lua), voando de sudoeste para nordeste, enquanto rumava para Brasília. “Estávamos perto de Palmas, vindo de Belém, quando vimos esse objeto acima de nós”, conta o piloto, que prefere não ter o nome divulgado. “Eram mais ou menos 4h45 da manhã, então ainda estava escuro. Ele estava voando bem alto e bem acima (do avião), indo realmente muito rápido. Fez uma curva quando passou por cima de nós e atravessou o céu.” A bordo da aeronave, duas outras pessoas viram o OVNI: o copiloto e uma comissária de bordo, que foi chamada à cabine. “Os passageiros não tinham como ver, porque estava acima do ângulo de visão das janelas laterais”, relata o piloto. Em menos de um minuto, o objeto já havia sumido de vista. Em contato com os controladores de voo, os aviadores foram informados de que não havia nada no radar. Em mais de 30 anos de voo, o piloto nunca havia visto nada parecido. Alguns dias depois, ele recebeu um telefonema da Força Aérea, perguntando sobre o avistamento (até então, ele sequer sabia que a Aeronáutica estudava o assunto). “Na hora [do avistamento], o sentimento que temos é de intensa curiosidade”, relata, descartando a hipótese de uma ocorrência natural trivial. “Fenômeno natural que atravessa o céu de ponta a ponta e faz uma curva? Acho que não.”

Procurada pela SUPER, a Gol não quis se manifestar. A Tam respondeu dizendo não ter registro de situações que envolvam OVNIs.

É comum que o objeto não-identificado se movimente em trajetória e/ou velocidade estranhas. Em julho de 2010, controladores de voo do Aeroporto Senador Petrônio Portella, em Teresina (Piauí), viram um objeto circular, prateado e vermelho, se deslocar rapidamente em zigue-zague, a baixa altitude (apenas 1.500 metros), por aproximadamente 20 minutos. Em 9 de maio de 2007, dois aviões da Tam, ambos saídos de Brasília, reportaram à torre o avistamento de uma luz muito forte à direita das aeronaves. Inicialmente, eles pensaram que fosse outra aeronave, mas o Cindacta 1 não registrou no radar o objeto – que acompanhou os aviões por dez minutos antes de sumir.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contato : (84) 9604-4055

Contato : (84) 9604-4055