Quinta, 29 de janeiro de 2026
A medida foi antecedida por um parecer técnico elaborado por uma comissão interna do Exército e encaminhado na última semana ao comando. No documento, os integrantes recomendaram a transferência antecipada de Mauro Cid para a reserva, entendimento que acabou sendo confirmado com a assinatura do comandante do Exército.
Cid foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto, por participação no núcleo central da suposta tentativa de golpe. Apesar disso, seus advogados atuam no Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja reconhecido o cumprimento integral da pena. A defesa sustenta que o militar já ultrapassou o período de dois anos de restrições, somando o tempo em prisão preventiva e o período em que esteve submetido ao uso de tornozeleira eletrônica. O pedido ainda aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes.
A passagem para a reserva ocorreu por meio da chamada cota compulsória, mecanismo que permite a aposentadoria antes do tempo mínimo regular, com pagamento proporcional ao período de serviço prestado. Mauro Cid acumula 29 anos e 11 meses de carreira, pouco mais de um ano abaixo dos 31 anos exigidos para a aposentadoria integral. Na prática, a redução nos vencimentos tende a ser considerada limitada.
Mesmo fora da ativa, o ex-ajudante de ordens continuará tendo acesso a alguns benefícios previstos na carreira militar, como o recebimento de uma ajuda de custo equivalente a oito salários. Em contrapartida, deverá desocupar o imóvel funcional em que reside em Brasília, com prazo de até 90 dias para efetuar a mudança.
Pessoas próximas afirmam que Mauro Cid ainda não definiu onde pretende morar após a aposentadoria. Ele possui familiares tanto na capital federal quanto no Rio de Janeiro e aguardava a decisão do Exército para organizar seus próximos passos. Com a ida para a reserva, também passa a ter autorização para exercer atividades profissionais fora da carreira militar e avalia atuar como consultor na área de assuntos militares.
No contexto do acordo de delação firmado, Mauro Cid e seus familiares teriam direito à proteção da Polícia Federal. No entanto, o militar optou por recusar o benefício no fim do ano passado, por entender que não corre mais riscos. A PF chegou a sugerir sua inclusão no programa de proteção a testemunhas, alternativa que contou com o aval da Procuradoria-Geral da República e foi apresentada ao STF. Ainda assim, Cid mantém a decisão de rejeitar a medida, sustentando que sua segurança não está ameaçada.
Pelo visto, Cid sentiu - certamente ao ver a reação de seus colegas - que não tem mais moral para vestir a farda... Triste fim.
Fonte: Jornal da Cidade Online

Nenhum comentário:
Postar um comentário