Terça, 20 se janeiro de 2026
O Cellebrite permite quebrar senhas e padrões de bloqueio de iPhones e Androids modernos, recuperar mensagens apagadas, acessar conversas de WhatsApp, fotos, e-mails, históricos de localização e registros que muitos acreditam ter sido definitivamente eliminados. Mesmo aparelhos desligados, isolados em gaiolas de Faraday, não escapam da extração total realizada pelos peritos.
Surge a pergunta incômoda: se o sistema é tão eficiente e tão temido, como explicar o fato de que, em investigações sensíveis, como os episódios de 8 de janeiro, nada de relevante tenha sido encontrado em celulares de personagens centrais? Especialmente em aparelhos que, segundo a narrativa oficial, deveriam conter provas robustas de articulação, comando ou planejamento.
O próprio caso envolvendo Mauro Cid tornou-se emblemático. Documentos, mensagens, ordens diretas ou cadeias claras de comando simplesmente não apareceram, apesar do uso de tecnologia considerada padrão ouro na perícia criminal brasileira.
Nos bastidores de Brasília, o medo não está no aparelho apreendido, mas no que ele pode revelar fora do escopo do inquérito. Uma perícia desse nível não encontra apenas o crime investigado. Ela expõe anos de relações políticas, articulações institucionais, acordos silenciosos e interesses cruzados. É por isso que o sistema teme o sistema.
Quando a tecnologia é capaz de tudo revelar, mas nada aparece onde deveria, a pergunta deixa de ser técnica e passa a ser política. Não se trata mais do que a ferramenta pode fazer, mas do que se permite que ela revele.
Porque a verdade, por mais avançado que seja o software, continua sendo a mais perigosa das extrações.
Carlos Arouck
Policial federal. É formado em Direito e Administração de Empresas.
Fonte: Jornal da Cidade Online


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