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domingo, 22 de janeiro de 2023

Atletismo mundial manterá mulheres trans em competições femininas, mas quer limite máximo de testosterona reduzido pela metade por 2 anos

Domingo, 22 de Janeiro de 2023

Caster Semenya, da África do Sul, na semifinal do Mundial de Londres — Foto: Reuters

A World Athletics, federação que gere o atletismo mundial, está preparada para manter a porta aberta para as mulheres transexuais competirem no mais alto nível mas sob novas e mais restritivas propostas, que serão votadas em março.

Segundo documento a que o jornal inglês “The Guardian” teve acesso, a “opção preferencial” do órgão será a de que a testosterona plasmática máxima permitida para mulheres trans seria reduzida pela metade, de cinco nanomol por litro para 2,5 nmol/L. E elas também teriam que ficar abaixo do limite permitido por dois anos, em vez de 12 meses, como atualmente é o caso.

Depois que o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu que deveria ser responsabilidade de cada federação esportiva designar a estrutura para a participação de mulheres trans no esporte de elite, essas organizações passaram a estudar e buscar as regulamentações apropriadas que permitam às transexuais competirem com garantias, sem que isso prejudique outras mulheres no esporte.

Segundo a publicação britânica deste domingo, essa opção provavelmente será vista com controversia, uma vez que em seu documento da World Athletics aceita que mulheres trans “mantenham uma vantagem em massa muscular, volume e força sobre mulheres cis após 12 meses” de tratamento hormonal.

– A exposição à puberdade também resulta em diferenças sexuais em altura, peso, envergadura (arremessos), arquitetura pélvica e dos membros inferiores. Essas diferenças anatômicas fornecem uma vantagem atlética após a puberdade para certos eventos atléticos e não respondem à supressão dos níveis de testosterona no sangue em mulheres trans pós-púberes – diz o documento.

Mesmo assim, a World Athletics sustenta que sua opção preferida funcionaria, pois “permitiria mudanças significativas (embora não totalmente na composição anaeróbica, aeróbica e corporal), ao mesmo tempo em que forneceria um caminho para a elegibilidade de mulheres trans e indivíduos 46 XY para competir no categoria feminina”.

As novas regras também se aplicam a atletas com diferenças no desenvolvimento sexual, como Caster Semenya –ou seja, indivíduos de 46 XY com testículos, mas que foram criados como mulheres– em todas as disciplinas atléticas de nível de elite. Do jeito que as coisas estão, os atletas como Semenya só precisam reduzir sua testosterona em eventos que variam de 400m a uma milha.

– Uma análise dos casos de DSD (diferenças de desenvolvimento sexual) observados em atletas de elite mostra que a maioria dos atletas são pessoas 46 XY que têm testículos que produzem concentrações de testosterona dentro da faixa masculina e que não são insensíveis aos efeitos dos andrógenos. No que diz respeito ao desempenho atlético, não há diferença significativa entre um indivíduo 46 XY DSD, um homem cis e uma mulher trans antes da transição. Portanto, a esse respeito, há necessidade de consistência entre os regulamentos de transgênero e DSD – diz o documento da consulta.

Um porta-voz da World Athletics disse ao “The Guardian” que propor uma opção preferida era “a melhor maneira de obter feedback construtivo, mas isso não significa que esta seja a opção que será apresentada ao conselho ou realmente adotada” e prometeu que eles fariam consultas mais amplas nos próximos semanas.

– Em termos de nossos regulamentos de elegibilidade feminina, seguiremos a ciência e mais pesquisas que temos nesta área para proteger a categoria feminina, manter a justiça em nossas competições e permanecer o mais inclusivo possível – afirmou a fonte ao jornal inglês.

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