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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O CRIME SOBRALENSE QUE ABALOU O MUNDO!

Sexta, 24 de Novembro de 2017

De um lado, José Renato Coelho Rodrigues. Um jovem de 33 anos, de boa família, pacato, um batalhador. Conseguira um emprego como vigilante e agarrou a oportunidade com unhas e dentes. Afinal, tinha que conseguir dinheiro para sustentar seu filho.

Do outro lado, Pedro Percy Barbosa de Araújo, 57 anos, Juiz, ingressou na magistratura em 1994. Em 1996 trabalhou na comarca de Jaguaribe e há sete anos era juiz da 2ª Vara de Sobral. 

Dois destinos se encontraram para encenar um episódio de dor e tristeza. Era um domingo, 27 de fevereiro de 2005. Renato havia iniciado seu trabalho como vigilante em um supermercado a uma semana e, mesmo sendo um dia em que geralmente as pessoas tiram para passar com a família, ele estava a trabalhar para levar o sustento ao seu lar, principalmente para o seu filho de apenas 6 anos de idade. Eram 22 horas e 30 minutos e o expediente já havia terminado a pelo menos meia hora, todos os caixas já haviam encerrado e as portas do supermercado já estavam sendo fechadas, estando aberta apenas uma pequena porta para saída dos últimos funcionários. Renato havia recebido ordens para que orientasse a quem ali adentrasse que o atendimento ao público já havia sido encerrado. Mal sabia ele que chegaria ali, instantes depois, um juiz autoritário impiedoso e alcoolizado. 

Ao chegar ao supermercado o juiz Percy Barbosa foi informado pelo vigilante Renato Coelho que o expediente daquele dia já havia sido encerrado e os caixas já estavam todos fechados. Percy então se identificou como juiz e insistiu que queria fazer compras e que o deixasse entrar, pedido negado pelo vigilante, pois havia recebido ordens para assim fazer. O juiz voltou ao seu carro onde se encontravam duas amigas, pegou seu revólver e retornou ao supermercado. Ao chegar foi novamente impedido de entrar pelo vigilante Renato Coelho, pediu então para falar com o gerente. O gerente do estabelecimento, foi chamado e sob ameaça, permitiu sua entrada. Ele relatou que só autorizou sua entrada porque o juiz disse que se ele falasse muito também, ele iria prendê-lo e prender o Renato porque ele era uma autoridade. Mas naquele momento o juiz já não queria apenas comprar, mal intencionado que estava, se dirigiu ao vigilante sacou sua arma e avisou:

- Você me humilhou! Vou te matar!
Renato tentou argumentar dizendo:
- Humilhei não, doutor, apenas estou fazendo o meu trabalho.
Percy então dá o aviso final:
- Vou te matar!
Renato ainda tentou implorar para não ser morto, disse ele:
- Não me mate, tenho um filho pra criar, não me mate, por favor!
Apesar dos pedidos o juiz foi impiedoso e certeiro, o tiro acertou a nuca de Renato que morreu ali naquele mesmo instante. O crime foi registrado pelas câmeras do circuito interno de segurança do supermercado, e logo percorreram as principais redes de televisão do Brasil, e em poucas horas tornou-se o assunto mais comentado em todo o mundo sendo transmitido pelas principais mídias mundiais. Afinal, não é todo dia que um juiz, uma figura que deveria contribuir com a redução da criminalidade, fosse ele mesmo o gerador de um crime tão bárbaro.
A partir daí iniciou-se a luta da família para garantir que tal episódio não tivesse um desfecho impune. O pai de José Renato recorreu a todos os meios possíveis de divulgação para suplicar por justiça. 

Em 01/03/2005, depois de ter passado um dia foragido e acompanhado de advogados, Percy se apresenta ao Tribunal de Justiça. Desde então ele passa a ficar preso no quartel do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza. Em 29/9/2005, por unanimidade, Percy é condenado a 15 anos de reclusão em regime integralmente fechado no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS). Ele também perde as funções de magistrado. Mesmo perdendo as funções de juiz, ele consegue judicialmente o direito de receber aposentadoria no valor de R$ 16.199,09, correspondente a 90% do que ganhava como juiz em Sobral. Da aposentadoria, foi determinado que Percy retirasse R$ 1.950,00 mensalmente, dinheiro a ser destinado à pensão do filho de 7 anos do vigilante assassinado. Em 13/06/2008 o Superior Tribunal de Justiça determina que Percy poderia deixar o regime integralmente fechado e migrar para a semi-liberdade, recolhendo-se ao quartel dos bombeiros somente nos fins de semana. Ele já havia cumprido 1/6 (dois anos e meio) de pena de 15 anos. Em 08/07/2008 Uma semana depois de ser internado com problemas cardíacos, o juiz aposentado Pedro Pecy Barbosa de Araújo, 57 anos, morreu no final da tarde no Hospital da Unimed, em Fortaleza, vítima de parada cárdio-respiratória.

Dois indivíduos, um iniciando sua carreira, cheio de sonhos e objetivos a conquistar. O outro, com uma carreira sólida de sucesso ocupando um dos cargos mais importantes de um país. Um não teve escolha quanto ao seu fim, sua vida foi ceifada sem que tivesse a chance de chegar ao sucesso, ou pelo menos tentar. Hoje Renato Coelho é visto por muitos como um mártir, alguém que precisou morrer para provar que há justiça nesse mundo. Já o outro, escolheu sim o seu fim, assassinou um inocente e, mesmo não tendo perdido sua condição financeira, pois ainda desfrutou da aposentadoria quase integral enquanto vivo estava, perdeu seu respeito, sua dignidade, sua idoneidade. Todos os seus grandiosos feitos, suas conquistas foram consumidas pela sua arrogância e falta de humildade. Hoje é apenas mais uma mancha na história.


Fonte: Herbet Frota resumo de recortes de jornais há época

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