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quinta-feira, 9 de abril de 2026

O que esperar da menopausa – com clareza e acolhimento

Quinta, 09 de abril de 2026

A menopausa não é uma doença — é uma transição biológica inevitável. Entendê-la com clareza e cuidado multidisciplinar adequado faz toda a diferença para a qualidade de vida que a mulher nessa fase merece.

Dra. Cecília Braz Garcia Cavalcanti
CRM 11009 | RQE 4380  
Médica ginecologista · Membro da Sociedade Brasileira de Climatério

Toda mulher vai passar pela menopausa. Ainda assim, é um dos eventos mais mal compreendidos na saúde feminina. Consultórios lotados de dúvidas, desconforto e, muitas vezes, sofrimento evitável.
Mas afinal, o que é menopausa?

A menopausa é definida clinicamente como a ausência da menstruação por 12 meses consecutivos, marcando o fim da função ovariana. Ela ocorre em média aos 51 anos — mas o processo que a precede, chamado de transição menopausal, pode começar anos antes, com ciclos irregulares e sintomas gradualmente crescentes.

Os sintomas vão muito além dos calorões

Ondas de calor e sudorese noturna são os sintomas mais conhecidos — e os mais estudados, mas a deficiência estrogênica tem um alcance muito mais amplo no organismo feminino. Desde insônia, irritabilidade, indisposição, dores articulares, humor deprimido até sintomas de ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais e infecções urinárias recorrentes, a variedade de sintomas e acometimentos é abundante e variável para cada mulher.

Tratamento: o que a ciência diz

As opções terapêuticas disponíveis hoje são mais seguras, mais personalizadas e mais eficazes do que nunca. A decisão sobre o tratamento deve ser sempre individualizada, levando em conta o perfil de saúde pessoal, histórico familiar, preferências e objetivos de cada mulher.

A terapia hormonal da menopausa continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e urogenitais associados à menopausa. Décadas de desinformação criaram medos exagerados — e a ciência atual permite uma leitura muito mais equilibrada dos benefícios e riscos reais. Em relação a duração do tratamento, não existe limite arbitrário de tempo ou idade máxima que permita o uso. A decisão de continuar, reduzir ou suspender deve ser revisada periodicamente, em conjunto com a paciente, considerando sintomas, qualidade de vida e perfil de risco atual.

Para mulheres que preferem não usar hormônios ou têm contraindicações, existem opções com evidências de eficácia variável, como alguns fitoterápicos e a a terapia cognitivo-comportamental específica para menopausa.

Independentemente da escolha terapêutica, certas mudanças de estilo de vida fazem diferença real nos sintomas e na saúde a longo prazo: parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, manter peso saudável e praticar exercício físico regular — especialmente musculação, para preservar massa muscular e densidade óssea. Não são recomendações genéricas: têm evidência específica no contexto da menopausa.

Uma última palavra

A menopausa não precisa ser uma fase silenciada, tolerada ou enfrentada sozinha. Você tem o direito de receber informação clara, de fazer perguntas sem julgamento e de participar ativamente das decisões sobre o seu tratamento. Se sentir que não está sendo ouvida, procure um/a profissional com experiência em saúde da mulher no climatério.

O corpo que chegou até aqui merece todo o cuidado do que ainda está por vir.

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Contato : (84) 9 9151-0643

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