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domingo, 16 de setembro de 2018

Mais um militar é ferido em confronto no RJ; quatro já morreram sob a intervenção

Domingo, 16 de Setembro de 2018 

por Italo Nogueira | Folhapress
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil


Um militar foi baleado durante uma operação no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, realizada neste sábado (15) pelo Comando Conjunto da intervenção federal na segurança pública. De acordo com o Exército, o disparo que o atingiu partiu de dentro de uma escola.

Segundo o comando, os tiros foram disparados assim que os militares das Forças Armadas iniciaram o cerco à favela do Complexo do Alemão, por volta das 4h, como parte de uma megaoperação realizada na zona norte.

"Quando da posterior aproximação das Forças Armadas, um militar foi atingido por disparo de arma de fogo oriundo de uma escola pública (Ciep). A tropa foi alvejada pelos criminosos que ocupavam o CIEP e não revidou, dada a sensibilidade do local e o risco de danos colaterais. De imediato, o militar ferido foi evacuado para o Hospital Central do Exército, onde se encontra sob cuidados médicos", afirma nota do Comando Conjunto.

O nome do militar não foi divulgado. Segundo o Comando Conjunto, ele foi atingido no pescoço e tem quadro estável, sem risco de morte.

De acordo com nota do Comando Conjunto, a operação começou à 1h com uma atuação preliminar da Polícia Militar no Complexo do Alemão. Ao chegar ao local, os agentes trocaram tiros com bandidos, segundo as Forças Armadas. Um morador foi ferido por estilhaços.

O Comando Conjunto também realizou operação no Complexo da Maré e no Jacarezinho. Foram mobilizados, de acordo com o Gabinete de Intervenção, 1.850 militares das Forças Armadas e 50 policiais militares.

"As ações destinam-se à verificação de denúncias de atividades criminosas, em particular as ligadas ao tráfico de drogas", informou o Gabinete de Intervenção.

Quatro militares já morreram em confrontos no Rio de Janeiro desde fevereiro, quando o presidente Michel Temer (MDB) decretou a intervenção federal na segurança pública do Estado com a justificativa de combater a escalada da violência.

No fim de agosto, o segundo-sargento do Exército Gilson Alberto de Souza Amaral, foi morto a tiros em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. 

Uma semana antes, três militares (um cabo e dois soldados) morreram em uma operação das forças de segurança nos complexos de favela do Alemão e Penha, zona norte no Rio.

Em junho, um soldado morreu após um acidente de trânsito na Avenida Brasil. Eles se somam à estatística de 65 policiais militares mortos no Estado neste ano.

Em fevereiro, o general do Exército Walter Braga Netto foi nomeado interventor e assumiu controle das polícias, bombeiros e setor penitenciário do Rio.

Antes disso, desde julho de 2017, já havia presença de homens do Exército nas ruas do estado. Em meio à grave crise financeira e de segurança pública no Rio, foi decretada na época a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que dava aval à participação dos militares, embora as polícias ainda estivessem sob comando do governo estadual.

A intervenção foi decretada às pressas e sem um plano pronto logo depois do Carnaval, quando cenas de roubos em áreas nobres da capital foram amplamente divulgadas pela imprensa e aumentaram a percepção de insegurança e vácuo no governo do estado.

Desde que chegaram ao Rio, os representantes do governo federal intensificaram as operações em favelas. Foram mais de 300 desde fevereiro, com aumento de 60% dos disparos e tiroteios registrados pela plataforma colaborativa Fogo Cruzado.

O orçamento do governo federal, de R$ 1,2 bilhão, tem sido usado majoritariamente na compra de materiais, mas nenhum centavo chegou a batalhões e delegacias. Na lista estão munições (1,1 milhão), armas (11 mil) e veículos (1.350), além de equipamentos para a polícia técnica e manutenção de blindados.

A maioria da população do Rio de Janeiro defende prorrogar a intervenção federal na segurança pública, prevista para acabar em 31 de dezembro deste ano.

Segundo pesquisa do Datafolha realizada no início de setembro, 72% dos moradores do Estado são a favor da continuidade da medida para além de seu prazo final. Dentre os entrevistados, 21% são contrários à prorrogação, 4% não sabiam e 4% eram indiferentes.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em agosto, Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, afirmou que a intervenção deveria acabar no prazo inicialmente previsto, porque os responsáveis pela medida já demonstraram não querer a sua renovação.

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