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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Haddad diz que não dará indulto a Lula se for eleito presidente

Terça, 18 de Setembro de 2018



Foto: Marcelo Brandt/G1
O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou pela 1ª vez que não dará indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se for eleito. Lula foi condenado em 2ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 12 anos e 1 mês de prisão e cumpre pena em Curitiba desde 7 de abril. O PT chegou a registrar o ex-presidente como candidato, mas o nome dele foi barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. O PT substituiu, então, o nome dele pelo de Haddad em 11 de setembro.

Haddad foi questionado mais de uma vez se daria ou não o indulto. Os jornalistas citaram uma declaração do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel, que falou no último sábado (15) sobre “a certeza” de que Haddad irá assinar o indulto, no primeiro dia de mandato, se for eleito.

Na primeira vez, Haddad respondeu que Lula está trabalhando para provar que é inocente. “Lula não vai abrir mão da defesa da sua inocência. Ele é o primeiro dizer: ‘Eu não quero favor. Eu quero que os tribunais brasileiros e os fóruns internacionais reconheçam que eu fui vítima de um erro judiciário’.”

Questionado se isso, então, significava que ele não daria o indulto, Haddad afirmou que “isso não está em pauta”. O petista falou que Lula tem sido considerado, desde o primeiro julgamento, como condenado, mas que acredita na absolvição dele. “E se não for?”, questionaram os jornalistas, lembrando que há apenas duas hipóteses, ser ou não inocentado.

Haddad: “Eu, como cidadão, vou me manter na campanha pela liberdade do presidente. Porque, eu li o processo, eu considero…”

Milton Jung, jornalista da CBN: “Isso o senhor disse claramente. A pergunta objetiva é o seguinte…”

Haddad: “Não. Não. A resposta é não.”

Jung: “Não ao quê?”

Haddad: “Não ao indulto.”

Haddad foi o nono presidenciável a participar da série de entrevistas do G1 e da CBN com os candidatos. Eles são entrevistados pelos jornalistas Cláudia Croitor e Renato Franzini, do G1, Milton Jung e Débora Freitas, da CBN, e pelo comentarista Gerson Camarotti, do G1 e da CBN.

Fernando Haddad tem 55 anos, foi ministro da Educação no governo Lula entre 2005 e 2012 e foi prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016.

Impostos

Haddad também falou sobre sua proposta para “reequilibrar a carga tributária”. Ele defendeu a cobrança de impostos sobre dividendos (parcela de lucros de empresas) e isentar de imposto de renda quem ganha até cinco salários mínimos. “O que nós defendemos é que os ricos, os muito ricos, voltem a pagar impostos como pagavam até 95 sobre dividendos para que a classe média e a classe trabalhadora paguem menos impostos. Então, nós teremos um reequilíbrio da carga tributária, e não um aumento dela.”

“Primeiro, o que nós vamos isentar do imposto de renda? Quem ganha até cinco salários mínimos. O que nós vamos cobrar? Os dividendos, que hoje a pessoa física não paga imposto de renda, vai voltar a pagar. Gradativamente, nós vamos aumentar as alíquotas”, completou.

Redução de juros bancários

O candidato disse que pretende diminuir a concentração bancária, apoiando cooperativas de credito e fintechs (startups do setor financeiro), e afirmou que, se eleito, vai dar benefícios fiscais para bancos que cobrarem juros menores ao consumidor.

“Aqui é o único lugar em que banco não toma risco, só ganha. Qual país do mundo que cobra 300% de juros no cartão? Ou 120% de juros no cheque especial? Para uma inflação de 4,5%. Vamos taxar os bancos, quanto mais juros cobrarem, mais vão pagar de imposto. Em compensação, quanto menos cobrarem, menos vão pagar de imposto. Queremos nos associar a um projeto de redução das taxas de juros para o tomador. Se não for isso, ninguém vai conseguir pagar suas dívidas, ninguém vai abrir uma empresa, ninguém vai fazer um crediário.”

“Vamos fortalecer as cooperativas de crédito, as fintechs, mas vai ter que doer no bolso do banqueiro quando ele aumentar os juros”, completou Haddad.

Milton Jung perguntou por que o PT não fez isso quando estava no governo. “Porque a economia estava bombando, o crédito consignado estava bombando… É difícil mexer em vespeiro, às vezes a gente não conta com apoio das pessoas para mexer em vespeiro”, respondeu Haddad.

Política de preços da Petrobras

Haddad disse ser contrário à política de preços dos combustíveis adotada nos últimos anos. Para ele, o melhor modelo é o adotado entre 2003 e 2012.

Sem citar a ex-presidente Dilma Rousseff, ele disse ser contrário é política de represamento de preços para controlar a inflação – uma prática que foi adotada pelo governo da petista. “A melhor política de preços da Petrobras é a seguinte: você não pode usar a empresa para manipular preços para combater inflação, o que quer que seja.”

Ele também criticou a política de Temer, de reajustes diários do preço conforme os preços internacionais. Para Haddad, é preciso considerar o poder de monopólio da Petrobras e levar em conta, para estipular os preços, sobretudo os custos internos de produção da empresa, não só o valor em dólar do que ela produz.

“Na minha opinião, foi um equívoco o que o Michel Temer fez de vincular os reajustes à cotação internacional. Nós não devemos fazer isso. Nós devemos, sim, levar em consideração o ambiente externo, mas levar mais em consideração os custos de produção da companhia, que são custos domésticos. E fazer um balizamento de preços como o que durou de 2003 a 2012”, afirmou o candidato.

Ausência de Dilma na campanha

Questionado por que a Dilma não aparece na campanha, Haddad disse que “o Lula era o nosso candidato a presidente.”

A jornalista Débora Freitas pergunta então por que o programa eleitoral passa direto da época do Lula para a do Temer. “Porque houve um golpe… Ninguém vai poder me acusar de esconder aliado, porque nunca fiz isso. Nunca escondi apoiador, por mais problemático que seja… Isso é prática de político tradicional. Eu faço tudo às claras. Quando vou a Minas, ando com a Dilma para cima e para baixo. Tenho um milhão de fotos e vídeos com a Dilma.”

Pinga-fogo

É a favor da adoção de crianças por casais homossexuais?

Sim.

É a favor do imposto sobre grandes fortunas?

Sim.

Vai manter o subsídio ao diesel?

Não dessa forma.

É a favor da prisão após condenação em segunda instância?

Não obrigatória.

É a favor do foro privilegiado para políticos?

Não.

É favorável à cobrança de mensalidade nas universidades públicas?

Não.

Defende a intervenção militar na segurança nos estados, como no Rio?

Intervenção civil.

G1 / Blog do BG

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