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quarta-feira, 13 de março de 2019

Com inflação baixa, mensalidades escolares têm menor reajuste em oito anos

Quarta, 13 de Março de 2019

Foto: Arquivo

Com a inflação nos patamares mínimos históricos, os reajustes das mensalidades escolares foram, em 2019, os menores dos últimos oito anos. Na média, a alta ficou em 6,61% no ensino fundamental e em 5,45% no ensino médio em fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE. Na educação infantil, o aumento foi de 6,22%. Considerando todos os grupos (como alimentação e habitação), a inflação no mês foi de 0,43%.

Em todos os segmentos da educação, os reajustes em 2019 foram os menores já aplicados desde 2012. A única exceção foi o ensino superior. Nas faculdades, a alta média foi de 3,68% em fevereiro deste ano, contra 3,62% no mesmo mês de 2018. Considerando todos segmentos juntos, os chamados cursos regulares, a alta foi de 4,58% no mês.

Fevereiro é o mês no qual a coleta de preços de inflação, pela metodologia do IBGE, mostra a variação nas mensalidades escolares. Por isso, tradicionalmente, em fevereiro, o grupo educação pressiona o IPCA, índice de inflação usado nas metas do governo.

E, apesar de os reajustes terem ficado menores este ano, a educação pesa cada vez mais no bolso do consumidor. Nos últimos 12 meses, enquanto a inflação geral ficou em apenas 3,89%, o grupo educação teve alta de preços de 4,85%.

Atividade econômica fraca
O reajuste menos acentuado no grupo de educação em fevereiro de 2019 pode ser explicado pelo fato de a economia ainda estar em um processo lento de recuperação e por causa do contingente significativo de desempregados, conforme avalia a economista Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea.

— A economia saiu de uma recessão mas ainda não decolou. Além disso, o país ainda tem um desemprego elevado — ponderou Andreia. — As famílias foram aguentando os reajustes durante determinado tempo, mas chegou um momento em que ficou insustentável arcar com os custos da educação.

A economista ressalta que as instituições de ensino, além do receio da perda de alunos por conta de reajustas mais elevados e de possível inadimplência, tiveram custos menores que em anos anteriores. Sendo assim, foi possível reduzir o percentual de reajuste, embora a taxa ainda se mantenha elevada.

— A inflação cadente contribui para que reajustes em custos operacionais e salários de professores, por exemplo, sejam menores. Este fato também contribui para que as escolas consigam repassar um reajuste menor para o público. De toda forma, embora o menor em muitos anos, ainda é um percentual elevado.

O Globo

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