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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Piora no histórico de desempenho de Lula no Nordeste e divisões na base ligam alerta no PT

Segunda, 20 de abril de 2026

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Fortaleza eleitoral do PT há 20 anos, o Nordeste se transformou em motivo de alerta para a pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisas indicam um movimento de piora na aprovação do governo e redução na diferença sobre Flávio Bolsonaro (PL) na região. A perda de força ocorre em um cenário de divisão na base aliada e de desvantagem de nomes do partido nas disputas estaduais.

Desde 2006, os candidatos do PT a presidente, seja Lula, Dilma Rousseff ou Fernando Haddad, tiveram percentuais superiores a 69% dos votos válidos entre os nordestinos no segundo turno das disputas pelo Planalto. O melhor desempenho de um petista na região foi obtido pelo próprio Lula em 2006, quando chegou aos 77% contra o seu atual vice, Geraldo Alckmin, candidato do PSDB naquela disputa.

Na etapa final da última eleição, o atual presidente superou Jair Bolsonaro por 69,34% a 30,66% na região. A vantagem de 12,6 milhões de votos obtida entre os nordestinos foi suficiente para compensar as derrotas no Sul, no Centro-Oeste, no Sudeste e no Norte. No cômputo geral do país, o petista recebeu 2,1 milhões de votos a mais que o candidato do PL.

A dúvida é saber se o retrospecto de larga vantagem na região será repetido para compensar derrotas no restante do país. Levantamentos do Datafolha mostram que o petista oscilou dentro da margem de erro nos últimos meses, saindo de 63% das intenções de voto em dezembro, para 60% na pesquisa mais recente, divulgada no dia 11. Flávio, por sua vez, pulou de 24% para 32% no mesmo período. A margem de erro nesse caso é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Cenário atual menos favorável

O cenário atual também é menos favorável a Lula do que há quatro anos, quando o adversário era o pai de Flávio, Jair Bolsonaro. Em agosto de 2022, por exemplo, o Datafolha apontava o petista com 65% contra 25% do então presidente entre os nordestinos.

Rejeição a Lula também cresceu no Nordeste

Ao longo dos anos, a rejeição de Lula também cresceu na região. O patamar de nordestinos que dizem não votar no petista de jeito nenhum é de 32%, um nível bem mais baixo do que o visto na média nacional, que é de 48%. Porém, em agosto de 2022, esse número era de 27%.

Lula tem feito esforço para manter sua popularidade em alta no Nordeste. Só neste ano, ele teve agendas em cidades da região em oito ocasiões, como no início do mês, quando foi inaugurar um trecho de um quilômetro de metrô de Salvador. Apesar disso, houve uma piora na avaliação do petista neste terceiro mandato. Dados do Datafolha mostram que a aprovação de Lula na região, que chegou a 53% de ótimo e bom em março de 2023, hoje está em 41%. A margem de erro também é de quatro pontos percentuais.

Lideranças petistas mantêm otimismo sobre a recuperação de Lula no Nordeste em outubro. De forma reservada, reconhecem, porém, que há uma preocupação com o desempenho nas capitais e nas grandes cidades, com mais de 150 mil habitantes, não apenas da região. Em 2022, o atual presidente, apesar da ampla vantagem entre os nordestinos, perdeu para Bolsonaro em uma das capitais: Maceió (AL). O então presidente teve 57,18%, contra 42,82% do petista na capital alagoana.

Pessimisto de ala do PT

Uma ala do partido, contudo, não tem o mesmo otimismo. Petistas envolvidos na pré-campanha de Fernando Haddad a governador de São Paulo, por exemplo, avaliam que haverá perda de desempenho de Lula no Nordeste e trabalham com as perspectiva de obter uma margem de 2 milhões de votos a mais no estado em comparação a 2022 para evitar a derrota do atual presidente. Na eleição de quatro anos atrás, Lula e Haddad tiveram votação próxima entre eleitores paulistas, a exemplo do atual governador, Tarcísio de Freitas e Bolsonaro. Na disputa presidencial, a vantagem do então presidente sobre o petista foi de 2,7 milhões no estado mais populoso do país.

Problema vai além dos números em pesquisas e atinge palanques

Além do sinal de alerta trazido pelos números das pesquisas, Lula também tem problemas com palanques. Nos dois maiores estados governados por petistas, Bahia e Ceará, levantamentos de intenção de voto mostram um cenário de incerteza para os atuais chefes do Executivo que disputarão a reeleição.

Na Bahia, Jerônimo de Freitas tem aparecido atrás de ACM Neto (União) em pesquisas. No Ceará, Datafolha divulgada em março mostrou Ciro Gomes (PSDB) com 47% contra 32% de Elmano de Freitas. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Diante do cenário incerto para Elmano no Ceará, o senador Camilo Santana (PT) deixou o Ministério da Educação dentro do prazo de desincompatibilização para poder eventualmente assumir a cabeça da chapa para o governo do estado. Ele nega ter essa intenção e, apesar dos números das pesquisas indicarem a perda de força do presidente na região, diz estar otimista com relação à votação que Lula poderá obter no Nordeste em outubro. — O desempenho do presidente no Nordeste será melhor ainda do que em 2022.

A tentativa de ampliar alianças que possam turbinar o palanque de Lula no Ceará foi citada pelo novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, como motivo para sua escolha ao cargo. Guimarães tinha intenção de disputar o Senado, mas abriu mão para que o PT usasse a vaga para negociar apoios.

A primeira vaga ao Senado deve ficar com o PSB, mas ainda não há definição sobre quem ocupará a posição. Camilo deseja que o senador Cid Gomes vá às urnas pela reeleição, mas o irmão do ex-ministro e possível candidato da oposição ao governo Ciro Gomes (PSDB) nega a possibilidade e reitera o desejo de emplacar o deputado federal Júnior Mano. Também parte da base governista, o MDB tem o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira como possível candidato à Casa.

Há problemas em palanques também em outros estados. No Maranhão, houve um racha na base de Lula após o atual governador Carlos Brandão lançar o sobrinho, Orlando Brandão (MDB). Os petistas do estado podem lançar o vice-governador Felipe Camarão, que é filiado ao partido, ou apoiar o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD).

Em Pernambuco, tanto o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB) quanto a governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição, brigam para ter o apoio de Lula. A disputa tem causado fissuras na base lulista.

O Globo

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