Terça, 21 de abril de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 2ª feira (20.abr.2026), em Hannover, que esperava ser indicado ao Nobel da Paz depois de mediar um acordo nuclear com o Irã em 2010. Na fala, ele se atrapalhou ao lembrar quem deveria tê-lo indicado, trocando Barack Obama (Partido Democrata) por Donald Trump (Partido Republicano) antes de se corrigir.
O fala foi durante coletiva com o chanceler alemão Friedrich Merz (CDU, centro-direita). Lula narrava os bastidores do Acordo de Teerã, quando Brasil e Turquia mediaram um entendimento com o governo iraniano para transferir parte do urânio enriquecido a território turco. Era uma tentativa de acalmar o Ocidente sobre o programa nuclear iraniano.
“Eu pensei que o Trump ia me indicar para o Prêmio Nobel da Paz”, declarou. Depois de uma pausa, disse: “Não era o Trump, era o Obama.”
Segundo Lula, a proposta que o Irã acabou aceitando havia partido originalmente de Barack Obama. O presidente afirmou que o texto chegou às suas mãos “escrito de próprio punho” pelo então presidente americano, com uma condição: se o Irã assinasse, os EUA apoiariam o acordo.
Lula disse ter convencido o então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad a assinar durante um jantar, sem que o líder soubesse que a proposta era americana. O Irã assinou. A reação do Ocidente foi o oposto do esperado.
“Quando ele assina, eu pensei que o Obama ia me indicar para o Nobel da Paz. Eles aumentaram o bloqueio”, disse Lula.
O episódio serviu de trampolim para uma crítica mais ampla. Lula voltou ao tema do Irã no contexto atual –desta vez para questionar a justificativa do conflito em curso–. Emendou na sua defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU.
“Ou nós renovamos o estatuto da ONU, ou a gente vai continuar com guerras sendo decisões unilaterais de quem tem armas”, disse.
O presidente chamou de “mito falso” a alegação de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares, traçando um paralelo com o argumento usado pelos EUA para invadir o Iraque em 2003.
Poder360
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