Sábado, 28 de março de 2026
Entre os derivados, o diesel S10 apresentou um dos aumentos mais expressivos. No período de 22 a 28 de março, o litro alcançou média nacional de R$ 6,78, representando alta semanal de 2,9%. Em comparação com o período anterior ao início do conflito no Oriente Médio, o crescimento chega a 24,3%. Em situações pontuais, como em Ourinhos, no interior paulista, o preço chegou a R$ 9,99 por litro — um valor que ilustra a disparidade regional e possíveis distorções locais de mercado.
A gasolina também registrou elevação, ainda que em ritmo mais moderado. O preço médio nacional atingiu igualmente R$ 6,78 por litro, com avanço de 1,9% na semana e aumento acumulado de 7,9% ao longo de março. No litoral paulista, especificamente no Guarujá, o combustível foi encontrado por até R$ 9,39, demonstrando o impacto das variações logísticas e de distribuição.
Outro item essencial no orçamento das famílias, o gás de cozinha, voltou a subir após um período de relativa estabilidade. O botijão de 13 quilos teve reajuste de 1,9%, passando a custar, em média, R$ 110,80 no país. Em algumas localidades, como Ilhéus, o valor chegou a R$ 150, evidenciando a pressão adicional sobre regiões específicas — especialmente no Nordeste, onde o custo final pode ser influenciado por fatores como transporte e menor concorrência.
Esse movimento de alta está diretamente ligado ao ambiente internacional. A intensificação das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem gerado instabilidade no mercado global de petróleo. Desde o final de fevereiro, a gasolina acumula aumento próximo de 8%, enquanto o diesel já ultrapassa os 20% de alta nas bombas.
No cenário externo, o barril de petróleo superou a marca de US$ 115, impulsionado também por riscos logísticos relevantes. Um dos pontos mais sensíveis é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial da commodity, e que chegou a ser fechado pelo governo iraniano — fator que amplia a preocupação com o abastecimento global.
Diante desse contexto, a ANP informou ter reforçado as ações de fiscalização e monitoramento do mercado. Desde o dia 9 de março, mais de 3 mil postos de combustíveis e diversas distribuidoras foram inspecionados, com o objetivo de assegurar o abastecimento e evitar práticas irregulares.
Por sua vez, o governo Lula sustenta que há estoque suficiente para atender à demanda ao longo do mês de abril, apesar da volatilidade nos preços. Paralelamente, a agência reguladora avançou na regulamentação da metodologia do Preço de Referência (PR), prevista na Medida Provisória 1.340/2026, que estabelece diretrizes para a concessão de subsídios ao diesel — o combustível mais impactado pelas oscilações do mercado internacional.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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