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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Moro promete combater a "grande corrupção". Já a pequena corrupção...

Terça, 25 de Dezembro de 2018


O ministro da Justiça e Segurança Pública do governo do Bolsonaro, Sérgio Moro, manifestou sua preocupação em combater a "grande corrupção" em várias oportunidades desde que assumiu o compromisso com a pasta. Foram pelo menos cinco pronunciamentos, inclusive no exterior, nos quais Moro fez questão de distinguir a corrupção da "grande corrupção".

Estas declarações dão a entender que é impossível combater a 'pequena corrupção' no Brasil. A pequena corrupção da classe política, de setores do Judiciário, das forças policiais, etc. A ideia de que será preciso continuar convivendo com a 'pequena corrupção' é aterradora, pois é justamente ela, a 'pequena corrupção', que mais alcança o cidadão comum. Para um povo que aspira por mudanças culturais urgentes, a sugestão de que será preciso continuar convivendo com a 'pequena corrupção' nos gabinetes de vereadores, deputados estaduais, prefeituras e parlamentos de todo o país não é uma perspectiva alvissareira.

Apenas no serviço público federal, estadual e municipal, há mais de 8 milhões de servidores espalhados pelo país. O número de vereadores chega a 56.810 que atuam em 5.568 Câmaras Municipais. São 11.136 prefeitos e vices, 1.024 deputados estaduais, 54 governadores e vices e por fim, um presidente e seu vice.

Ao participar da terceira edição do Seminário Caminhos Contra A Corrupção, em Brasília, na semana passada, Moro declarou que “Tivemos grandes avanços, mas centrados nas cortes de Justiça. Mas faltou uma reação institucional do Congresso e do Executivo mais robusta em relação a essa grande corrupção. Eu pretendo ser um fator de modificação dessa relativa omissão dos poderes constituídos”, observou Moro.

A fala ocorreu dias após a divulgação de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentação atípica nas contas de um colaborador do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O mesmo relatório apontou uma série de movimentações suspeitas de repasses de uma secretária parlamentar do presidente eleito Jair Bolsonaro e até cheques na conta da futura primeira dama Michele Bolsonaro.

Os esquemas de 'rachid' nas casas legislativas do Brasil são considerados comuns por políticos e por pessoas que se prestam a emprestar seus nomes para figuraram como funcionários de gabinetes de parlamentares. Diante da possibilidade de 'desperdiçar' a verba a que tem direito, políticos lotam seus gabinetes com assessores dispostos a devolver boa parte de seus salários para o político. Não há como considerar tal prática como tolerável, uma vez que se trata de dinheiro público e exige a montagem de uma organização criminosa disposta a praticar crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e corrupção para colocar as mãos em dinheiro do povo através da 'pequena corrupção'.

Um parlamentar chega a ter direito a mais de R$ 100 mil por mês para gastar com assessores. É dinheiro do povo que falta nas creches, escolas e hospitais. A 'pequena corrupção' é a que mais afeta a população, de modo geral.

Moro não abordou o escândalo do Coaf durante o evento, mas o homem encarregado de combater a corrupção no país afirmou que o Executivo e o Legislativo se omitiram no combate à corrupção e que um retrocesso em relação ao tema é “intolerável” e que “poderosos” não deixarão escapar oportunidades para tirar os avanços da Lava Jato.

O problema é que não são apenas os 'poderosos' que roubam o quanto podem do povo. Tem também os 'ladrões de galinhas' das casas legislativas que se valem de esquemas mequetrefes com laranjas e empregados fantasmas para aumentar os próprios rendimentos, que já são relativamente altos em comparação com a renda da maior parte da população do país.

“Não se enganem, a "grande corrupção" envolve pessoas poderosas, envolve interesses especiais, poder politico e econômico, que percebendo uma chance, de voltar ao status quo da impunidade e da grande corrupção, ou pelo menos para tirar avanços, não se enganem, essas oportunidades não vão ser perdidas”, afirmou ex-magistrado falou por cerca de 40 minutos.


Não houve espaço para perguntas e Moro foi embora assim que o evento acabou, sem conversar com a imprensa, acompanhado de seus seguranças. Esta parece ter sido uma condição para evitar questionamentos sobre o escândalo do Coaf que envolveu o presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.

Qualquer cidadão sabe perfeitamente que a Justiça pode, a qualquer momento, determinar a quebra dos sigilos telefônicos, bancários e fiscais dos envolvidos. Há poucos meses, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, determinou a quebra dos sigilos de um presidente da República em exercício. Qual o problema em quebrar o sigilo de um simples motorista e de um grupo de assessores de parlamentares? Será a tolerância com a "pequena corrupção"? Ninguém parece se importar com a incompatibilidade entre a renda e o patrimônio dos políticos no Brasil. Pessoas entram pobres na política, e em poucos mandatos, ultrapassam empresários que lutam há décadas sem conseguir juntar dois imóveis.

O país precisa urgentemente de Leis mais rígidas, caso queira minimizar o estrago causado pela corrupção, seja ela grande, média ou pequena. Os corruptos não se sentem intimidados, graças à tolerância de agentes públicos, proximidade com o Judiciário, certeza da impunidade e, quando são pegos, se safam com relativa facilidade. Numa relação custo benefício, o corrupto vê vantagem em acumular em pouco tempo o que não ganharia durante toda uma vida de trabalho. Nestes raros casos em que são pegos e punidos, ficar oito meses ou um ano preso, compensa.

Fonte: Imprensa Viva

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