Terça, 06 de janeiro de 2026

A crise aberta na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro atingiu em cheio a estratégia do governo Lula para o início de 2026. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o cenário externo passou a representar um risco real para a corrida eleitoral, alterando completamente o planejamento político e institucional do presidente.
A ideia do governo era começar o ano com foco nas entregas da gestão e na retomada do diálogo com o Congresso, após um fim de 2025 marcado por tensão com o Legislativo. O objetivo incluía destravar pautas estratégicas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, além de organizar a comunicação da pré-campanha. Com a escalada do conflito regional, essa agenda foi colocada em segundo plano.
O novo contexto geopolítico deslocou o eixo das prioridades do governo. A agenda externa, o temor de instabilidade na fronteira e a incerteza sobre os próximos movimentos do presidente dos EUA, Donald Trump, passaram a dominar as discussões internas. Lula tenta adotar um discurso cauteloso, defendendo o direito internacional, a soberania regional e a pacificação, sem atacar diretamente Washington e sem mencionar Maduro.
Apesar da estratégia de contenção, o Planalto reconhece que adversários políticos explorarão a associação histórica entre Lula e o regime venezuelano. A movimentação já é visível nas redes sociais, puxada por lideranças bolsonaristas. O receio central é que a crise reacenda canais de influência entre a direita brasileira e o governo Trump, elevando o risco de interferências externas no processo eleitoral de 2026.
Com informações da CNN
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