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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Os paladinos da verdade: A Lava Jato está longe de acabar...

 Quarta, 23 de Setembro de 2020

A Lava Jato, operação bem sucedida oriunda das investigações da Polícia Federal, foi apropriada por muitos. Políticos se elegeram em nome da Lava Jato, juízes e procuradores se tornaram os paladinos da causa, movimentos lavajatistas são assim chamados por se dizerem responsáveis pelo combate à corrupção, oportunistas de toda espécie colhem frutos que não plantaram.

No entanto, ouve-se a todo momento reclamações de que “querem acabar com a Lava Jato”, mesmo quando a população cobra a continuidade do combate a maior corrupção sistemática coordenada por políticos, empresários e entes públicos.

Em meio aos que desejam o fim da operação, os que exigem sua continuidade e os que tentam lucrar na esteira da Lava Jato, segmentos políticos confundem a opinião pública alegando que o governo quer interferir na Polícia Federal para frear o combate aos corruptos.

Afinal, quem quer acabar com o combate à corrupção?

A resposta é simples e não podia ser mais óbvia: os próprios corruptos e seu aparelhamento estatal.

O marco do surgimento dessa “instituição”, a Lava Jato, começou com os movimentos de rua, quando milhares de pessoas passaram a se manifestar e pedir a retirada da Dilma da presidência.

Em nome da operação, ao longo dos anos surgiram os que se passavam por seus defensores, mas que também defendiam seus interesses particulares ou corporativistas, os “paladinos da verdade”.

Todos tinham suas reivindicações.

Os delegados pediam autonomia da Polícia Federal, os procuradores queriam assinaturas para as dez medidas no combate à corrupção, na verdade uma demanda por mais poder para a instituição do que uma luta contra os corruptos propriamente dita.

Com o advento dos julgamentos de Sergio Moro e suas condenações da cúpula do governo, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, captou investimentos de grandes empresários para financiar o Instituto Mude - Chega de Corrupção, criado para promover, além da própria operação, as dez medidas de combate à corrupção e suas opiniões políticas.

Moro, alçado a herói da Lava Jato, deixa de lado a carreira de juiz, passando a compor o governo e ainda sob alegação de defesa da operação, pede demissão do cargo de ministro da Justiça. A saída foi uma possível reação à exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, por ele indicado.

Ainda invocando a Lava Jato, a recente renúncia coletiva dos procuradores da operação em SP demonstra uma tentativa de desestabilizar a Procuradoria Geral República, desde que Bolsonaro rejeitou o mais votado da lista tríplice.

A ideia é sabotar o mandato do Aras, principalmente tendo em conta que por lá as investigações nunca avançaram sobre o PSDB. O primeiro a se afastar foi o ex-procurador da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, que se aposentou.

Agora, Deltan Dallagnol deixa a coordenação da Lava Jato, alegando problemas familiares, mas além da sua função no MP, virou um youtuber de opiniões políticas.

A Operação Lava Jato, considerada a maior investigação da história do Brasil, completou seis anos em março de 2020. Até aqui, ela teve 74 fases, milhares de mandados de busca e apreensão no país e no exterior, 113 denúncias, 159 condenados, R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos e R$ 2,1 bilhões em multas, segundo informações do Ministério Público Federal (MPF).

O relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, encaminhou ao novo presidente da corte Luiz Fux, um relatório no qual avalia que os trabalhos da operação "são pautados pela legalidade constitucional" e combatem a "renitente garantia da impunidade" existente no país.

De acordo com Fachin, a sociedade brasileira cobra, com cada vez mais vigor, melhores serviços públicos, mais eficiência das instituições estatais e da Justiça, e o resultado dos trabalhos das instituições que combatem a corrupção e a lavagem de dinheiro no país é fruto dessas "históricas demandas".

Nesse sentido, o governo vem atuando contra a corrupção preventivamente. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, por exemplo, conta com um gabinete de prevenção, assim como outros ministros também.

O país está diante da maior investigação de combate à corrupção que surtiu efeitos. A Lava Jato e seus desmembramentos podem, inclusive, trazer à tona dados “abafados” de outras operações, como aquela ligada ao escândalo do Banestado.

O Banestado foi um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro do mundo na década de 90. Assim como a Lava Jato, escandalizou pelas enormes quantias de dinheiro oriundo de corrupção pública, fraudes e crime organizado, em especial por meio do Banco do estado do Paraná (Banestado).

Mas diferentemente da Lava Jato, não resultou em nenhuma prisão e a operação foi enterrada no governo tucano de FHC. O juiz estadual à época era Moro. O ex-diretor da PF, Valeixo, também atuou na investigação.

O procurador Celso Antonio Três, e o delegado federal José Castilho realizaram um trabalho de investigação robusto, que envolveu políticos, banqueiros, doleiros, empresários de grandes construtoras e ministros, mas sem resultado.

São coincidências os envolvidos de uma operação figurarem na outra ou mera especulação?

Existiria uma conexão entre o caso Banestado com a Lava Jato de hoje?

Por que Moro largou a magistratura para ser ministro?

Poderia ele como ministro evitar as operações da Polícia Federal no âmbito do PSDB?

Perguntas permanecem sem respostas e muitos nós precisam ser desatados. Apenas uma certeza: ao contrário do que desejam muitos, a Lava Jato está longe de acabar.


Carlos Arouck

Policial federal. É formado em Direito e Administração de Empresas.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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