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domingo, 1 de dezembro de 2019

DAVI, assim como RHUAN, aguardem, na grande imprensa nacional, mais um grande silêncio

Domingo, 01 de Dezembro de 2019


Aguardem, na grande imprensa nacional, mais um grande silêncio. Será o mesmo silêncio escandaloso adotado pela maior parte dos jornalistas quando da tortura, assassinato e esquartejamento do menino Rhuan Maycon, acontecido meses atrás.

As criminosas foram Rosana Auri da Silva Candido, mãe de Rhuan, e sua companheira Kacyla Priscyla Santiago Damasceno. A existência do garoto representava um empecilho ao relacionamento delas. Após humilhações inomináveis impostas ao menino – do tipo vestir-se com roupas de mulher e fingir-se de “menina” – ele teve seu pênis decepado, olhos perfurados e foi finalmente decapitado (provavelmente, segundo os legistas, ainda vivo) e jogado numa cova rasa.

Agora, em Nova Marilândia, cidade mato-grossense próxima à Cuiabá, outro menino de apenas três anos - Davi Gustavo Marques de Souza – morreu após espancamentos perpetrados pela mãe, Luana Marques Fernandes, de 25 anos, e pela companheira dela, Fabíola Pinheiro Bacelar, 22 anos.

Criado pelas duas mulheres, a criança era vítima de maus-tratos há muito tempo, segundo constatação da polícia. O pai, Gustavo de Souza, já havia registrado boletins de ocorrência em julho deste ano denunciando a situação. Ao buscar o menino na escolinha, percebeu que ele apresentava vários ferimentos pelo corpo, incluindo mordidas profundas. Na época, a polícia e as entidades de proteção à infância não tomaram nenhuma atitude prática. E aconteceu o pior.

Davi Gustavo deu entrada no Pronto-Atendimento esta semana já sem vida, levado pela companheira da mãe, com inúmeras escoriações, hematomas pelo corpo e fraturas assustadoras nos ossos da bacia e das pernas. Fabíola deixou-o lá e foi-se embora, sem mais. Apenas declarou que o menino sofrera uma queda. Diante da gravidade do quadro, os médicos acionaram a polícia e chegou-se à apavorante verdade: Davi tinha sido atropelado pela companheira de sua mãe, que esmagou-o com o carro diversas vezes contra o portão da casa. Ambas foram presas.

Repito aqui minha frase inicial: aguardem, na grande imprensa nacional, mais um grande silêncio. Davi é mais uma criança vítima da maldade dos adultos, somando-se à dolorosa estatística de abusos, estupros, maus-tratos contra meninos e meninas que povoam as manchetes do dia. No entanto, assim como no caso de Rhuan, a repercussão será discreta. Ou quase nula.

Surgem novos casais homoafetivos dignos de todo respeito e admiração. Mas ocorrem também as insanidades, as aberrações que devem ser denunciadas, divulgadas e punidas. Tal como Rhuan, Davi era considerado um “estorvo” na vida de duas mulheres. Como no Brasil a indignação agora é seletiva e sujeita às asneiras e modismos do politicamente correto, a notícia será discretamente suprimida nas redações. Muitos jornalistas têm medo de tocar no assunto e preferem calar-se, de pura covardia.

Portanto, em memória de Davi Gustavo Marques de Souza, mais uma criança assassinada por conta dos delírios de dois adultos – vejam só - “em nome do amor”, faço questão de registrar o fato, pelo menos aqui no nosso Dom Total.

Autor: Fernando Fabbrini

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O Tempo.

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