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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Irmãos Batista avançam sedentos sobre petróleo da Venezuela após queda de Maduro

 Sexta, 23 de janeiro de 2026






Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, os Batistas mantêm ligação indireta com o projeto Petrolera Roraima, por meio de um parceiro comercial. A participação envolve campos petrolíferos que anteriormente pertenciam à ConocoPhillips. A Fluxus, empresa de petróleo da família, avalia a entrada direta nesses ou em outros projetos, condicionando qualquer movimento à consolidação de um ambiente institucional mais previsível.

Cautela pública, interesse privado

Em nota, a holding J&F SA afirmou não possuir ativos na Venezuela, mas deixou claro que acompanha atentamente o cenário. “Uma vez estabelecido um quadro de estabilidade institucional e segurança jurídica, estaremos prontos para avaliar investimentos”, declarou o grupo.

Desde a imposição de sanções pelos Estados Unidos, os Batistas adotaram postura pública de cautela. A prudência também se explica pelo fato de o grupo controlar a Pilgrim’s Pride, uma das maiores processadoras de frango dos EUA. O presidente norte-americano Donald Trump já acusou o antigo regime venezuelano de confiscar riquezas de empresas americanas, sem sinalizar qualquer reversão das nacionalizações feitas no passado.

Enquanto empresas dos EUA e da Europa aguardam garantias mais sólidas para operar, grupos com trânsito político e histórico de atuação na região tentam se posicionar com antecedência. Nesse contexto, Joesley Batista esteve recentemente em Caracas para dialogar com a presidente interina Delcy Rodríguez, ampliando sua influência no período de transição.

Relações políticas e histórico controverso

A trajetória dos Batistas na Venezuela não é recente. Desde os anos 2000, o grupo mantém relações com o governo local. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu quando assinaram um contrato de US$ 2,1 bilhões para fornecimento de carne e frango em meio à crise alimentar venezuelana. O acordo teve intermediação de Diosdado Cabello, figura central do regime.

Em 2024, o Ministério do Petróleo concedeu à A&B Investments — comandada por Jorge Silva Cardona, aliado comercial dos Batistas — direitos de exploração por 25 anos no projeto Petrolera Roraima, anteriormente operado pela ConocoPhillips.

A PDVSA mantém 51% da participação no empreendimento, enquanto a A&B controla os outros 49%. Após a entrada do novo operador, a produção diária chegou a 32 mil barris entre junho e outubro, mas caiu com o endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações venezuelanas.

Olho no pós-Maduro

Além do petróleo, o grupo também analisa oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica. A estratégia é clara: ocupar espaço rapidamente no cenário pós-Maduro, antes que grandes concorrentes internacionais retornem ao país.

A movimentação reforça um padrão conhecido: empresários experientes em navegar ambientes politicamente instáveis buscando vantagens estratégicas em momentos de fragilidade institucional — agora, apostando que a Venezuela entrará em uma nova fase, ainda cercada de incertezas.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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