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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Saiba porque Moro detém o incontrolável ódio da esquerda brasileira

Segunda, 05 de Agosto de 2019


Por que a esquerda brasileira tem tanta implicância com Moro? Implica com Moro muito mais do que implica com a direita.

Não é por Moro representar a direita. Moro só representa a direita indiretamente.

A esquerda brasileira não implica muito com a direita, pois tem certo orgulho de pai: foi a esquerda brasileira quem criou a direita tal como se apresenta na presente quadra. De tanto defender o indefensável e chamar todo não aliado de “fascista”, o resultado é a direita que temos.

Implica terrivelmente com Moro, pois ele personifica (não foi ele sozinho, evidentemente) a prisão de Lula. E a esquerda brasileira, muito antes de ser marxista ou pós-modernista, é lulista.

Lula não é um marxista esclarecido, dogmático, e de pós-modernista tem muito pouco.

É apenas um líder populista que levou o patrimonialismo brasileiro, em seu vício de aparelhar e assaltar o Estado, a seus dias mais abundantes. Uma abundância de consciência limpa, pois em sociedade com o “pai dos pobres”, com o “metalúrgico nordestino que representa a esperança do povo”.

E a esquerda brasileira, muito antes de ser marxista ou pós-modernista, é profundamente patrimonialista, ela vive do Estado desde que roubou todas as bandeiras de esquerda das mãos dos anarquistas da década de 1910. Processo que se tornou agudo quando um simpatizante do fascismo (do fascismo original, italiano), Getúlio, se tornou o “pai dos pobres” que trouxe parte da esquerda para o guarda-chuva do Estado, outra parte para o acomodado campo do sindicalismo paraestatal-corporativista de matriz fascista, lugares de onde a esquerda brasileira nunca mais saiu, nem nos governos dos generais.

Se Bolsonaro e a direita brasileira são o resultado eleitoral e militante do antilulismo, uma reação ao mesmo tempo à esquerda e ao patrimonialismo, Moro é Lula preso. Lula preso é a esquerda brasileira fora do ideal de Mussolini: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”, ideal que caberia também em Stálin ou na velha elite patrimonialista brasileira. Moro também representa uma reação a esse ideal.

Vida longa a Moro e à direita brasileira, pois embora ela seja resultado das atitudes da esquerda brasileira, procurará sempre ser oposto dela, por isso liberal em economia, que é o que mais importa.

Aurélio Schommer

Membro do Conselho Curador na Fundação Cultural do Estado da Bahia - Funceb e Membro Titular no Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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