Sábado, 10 de outubro de 2026
Incrível, mas há bichos que nos dão dicas para pensar a política. Um dos meus favoritos é o gato-pescador. Do tamanho dos bichanos que moram em nossas casas, esse felino selvagem é um especialista em iludir a presa.
Habitando próximo de córregos em várias regiões da Ásia, o gato-pescador bate de leve com a patinha na superfície da água, fazendo parecer que um inseto caiu ali. Os peixes, enganados, vêm comer o inseto e terminam nas garras do gato: Um predador inteligente.
Não têm a graça do gato-pescador, os políticos que, para pescarem votos, enganam o eleitor com promessas mentirosas, como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho e proibição da escala 6x1 sem redução de salário.
É mentira! E é fácil compreender que é mentira.
No mundo real, as empresas têm dois destinos: adaptar-se à realidade ou falir, o que implica extinguir empregos. E como será a adaptação, caso seja proibida a escala 6x1? Ora, não podendo baixar salários para tornar viável a empresa, o empregador será forçado a demitir empregados antigos para contratar novos com salários mais baixos. E os demitidos, é óbvio, quando encontrarem novo emprego, vão ganhar menos.
Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, diz que, com o aumento do custo do trabalho que o governo propõe, as empresas inevitavelmente vão buscar formas de adaptação. Segundo ele, "Empresas são estruturas ágeis e maleáveis. Elas tentam se ajustar aos incentivos e às restrições que vão aparecendo".
Mas, no mundo da fantasia, gente que nunca teve uma carteira assinada, que só sabe fazer "enfrentamento" e não sabe o que é perder o sono por preocupação de como pagar a folha dos empregados nem tem ideia do que é correr risco, gente que, em gabinetes climatizados, se dedica a teorizar sobre como os outros devem viver e não esconde seus preconceitos contra empreendedores, esse tipo de gente está tratando o eleitor como inseto e tentando pescar-lhe o voto com a promessa de uma vida mais folgada: pura demagogia, porque isso não se alcança apenas legislando.
Será magnífico o dia em que todas as pessoas possam decidir a jornada de trabalho que vão cumprir. Vários países já conseguiram isso. Só que não foi de um dia a outro. Todos tomaram, antes, medidas que melhoraram a produtividade e tornaram viável a mudança. Mas o governo do PT não sabe nem se interessa em como aumentar a produtividade, porque isso, para a esquerda, é papo de capitalista.
Claro, não dá para ignorar que há muitos brasileiros trabalhando em más condições, uma realidade que não tem chance de mudar senão por meio de várias medidas, que implicam encarar a economia com cérebro adulto, não de grêmio estudantil, e ações de qualificação de mão-de-obra. Nada disso está no ideário da esquerda, que só pensa em "tomar o poder".
O prezado leitor sabe que um número crescente de empresas brasileiras está migrando para o Paraguai? E sabe por quê? É porque lá o custo do trabalho é muito menor, sem o excesso de impostos que o empregador tem de pagar no Brasil, e a burocracia é menos travada. Esses são só dois, entre outros atrativos para quem quer empreender no Paraguai.
No entanto, no discurso de campanha, mostrando que se opõe às mudanças que o país precisa, Lula ataca seu adversário que quer reduzir tributos.
Ele não sabe, ou não quer saber, que é letal a combinação de uma redução impositiva da jornada de trabalho (tanto pior quanto menor a empresa) e uma carga tributária exacerbada como a que já temos.
Como não ver, no gato-pescador enganando o peixe, a imagem do populismo e suas promessas ilusórias? Resta, a quem não quiser ser engrupido, observar com distanciamento e refletir com vagar.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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