Quarta, 29 de julho de 2026
Na petição, a defesa argumenta que a exibição do vídeo ocorreu durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada no último sábado (25), em um ambiente restrito aos participantes do evento partidário. Segundo os advogados, o conteúdo possuía caráter intrapartidário e foi exibido de forma transparente, deixando claro ao público que a imagem apresentada havia sido criada por inteligência artificial.
Entre os principais fundamentos da defesa está o entendimento de que esse tipo de manifestação é permitido durante o período de definição das candidaturas. Conforme registra a impugnação, “A propaganda ‘para dentro’, ‘intrapartidária’, realizada nas convenções partidárias ou nos 15 dias que a antecedem é lícita e faz parte do próprio estágio político de definição de candidaturas, alianças e linhas programáticas”.
Os advogados também afirmam que não houve qualquer tentativa de induzir o público ao erro sobre a origem do conteúdo. Na peça encaminhada ao TSE, sustentam:
“Houve apenas a criação de um boneco tecnológico, tudo com as devidas tarjas e anúncios, sem qualquer falseamento ou induzimento em erro. Não houve ocultação da tecnologia empregada”.
Em outro trecho, a defesa procura diferenciar o vídeo apresentado na convenção do conceito de deepfake. Segundo a manifestação, “A deepfake se caracteriza que manipulação de fatos, fotos, vídeos e falas reais, a partir da mistura entre realidade e tecnologia, com falseamento profundo e inescapável induzimento em erro”.
Para reforçar seus argumentos, os representantes de Flávio Bolsonaro fizeram uma comparação com a campanha presidencial de 2018. Na ocasião, destacaram que Fernando Haddad e outras lideranças do PT participaram de atos públicos utilizando máscaras com o rosto do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso em decorrência da condenação na Operação Lava Jato e teve o registro de sua candidatura à Presidência indeferido pela Justiça Eleitoral.
A controvérsia teve origem durante a convenção nacional do PL, quando o discurso de Flávio Bolsonaro foi interrompido para a exibição de um vídeo criado por inteligência artificial. Na apresentação, a representação digital de Jair Bolsonaro declarou que o senador era o escolhido para sucedê-lo na disputa presidencial e pediu o apoio da militância à candidatura.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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