24 de setembro de 2014
BRASIL
São Paulo (ABr) - As empresas brasileiras estão com mais dificuldades para pagar suas contas. Em agosto, o número de empresas inadimplentes voltou a crescer, aponta indicador divulgado ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo o indicador, o total de empresas com contas em atraso subiu 7,64% na comparação com agosto do ano passado. Esse foi o quinto mês seguido com alta superior a 7%. De julho para agosto, houve uma pequena desaceleração no crescimento das empresas inadimplentes, passando de 0,37% para 0,26%.
Aldair Dantas

O setor que mais contribuiu para a alta da inadimplência foi o de serviços. Nesse setor, que concentra 35,88% de todas as dívidas das pessoas jurídicas em atraso, houve alta anual de 10,76%. Em seguida, aparece o comércio, com alta de 6,57%.
Para Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o aumento da inadimplência das empresas é reflexo da desaceleração do crescimento econômico, da manutenção dos juros em patamares elevados e da inflação no teto da meta. “A piora da confiança do consumidor e o crescimento da inadimplência da pessoa física também são fatores que influenciam a deterioração da capacidade de pagamento das empresas”, disse a economista.
Dificuldades
Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, a estagnação da economia e os custos maiores impactaram o fluxo de caixa das empresas. “O aumento do custo dos financiamentos com juros elevados, inflação no limite da meta e o ambiente de baixa atividade econômica estão impondo dificuldades à situação financeira das empresas. Além disso, a piora da confiança do consumidor e o crescimento da inadimplência da pessoa física são fatores que influenciam”, diz ele, em texto publicado ontem no site da Confederação.
O levantamento também mostra que a alta do número de dívidas em atraso, que ficou em 6,17% na base anual de comparação, foi puxada principalmente pelo crescimento de compromissos financeiros atrasados em que o comércio é o setor credor. O segmento respondeu por 1,8 pontos percentuais da alta total, mesma contribuição do setor de bancos e pouco à frente da indústria, que contribuiu com 1,3 pontos percentuais do crescimento global das dívidas em atraso.
Para Pellizzaro, as empresas estão com dificuldades para pagar seus compromissos no curto prazo. “Na análise das empresas com dívidas pendentes por tempo de atraso, vemos uma perda de fôlego das dívidas atrasadas em até 90 dias. Em junho, o crescimento desta faixa de atraso estava em 17,45% e desacelerou para uma alta de 8,23% em julho. Por outro lado, as empresas com dividas em atraso de 91 a 180 dias foram as que mais crescerem na comparação anual”, diz.
Tribuna do Norte
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