Terça, 02 de junho de 2026
Segundo Roberson, a medida integra uma iniciativa mais ampla conduzida pela administração Trump para combater grupos considerados ameaças à segurança. Ela ressaltou que o presidente norte-americano já havia sinalizado desde o início de seu mandato a intenção de ampliar as ações contra organizações criminosas com atuação internacional.
"As designações do CV e do PCC são parte de uma ampla estratégia que Trump está trabalhando na região. Esses dois grupos fazem parte de 17 grupos criminosos designados como organizações terroristas estrangeiras. O presidente Trump está atuando para eliminar esses grupos", declarou Roberson.
Durante a entrevista, a diplomata também esclareceu dúvidas sobre os efeitos práticos da classificação das facções. Ela destacou que a legislação norte-americana prevê uma série de sanções e restrições, mas não autoriza ações militares em decorrência dessa designação.
Questionada sobre uma eventual intervenção militar em território brasileiro, Amanda foi categórica ao afirmar que essa possibilidade não está prevista.
"A designação dos grupos como organizações terroristas estrangeiras é algo bem claro na nossa lei. Não contempla nenhum tipo de ação militar. Agora é importante destacar as consequências das designações, que são restrições de vistos para membros desses grupos, bloqueio de seus bens aqui nos EUA, proibição de pessoas dentro dos EUA de realizar qualquer tipo de transação com esses grupos e também classifica como crime fornecer apoio material conscientemente a esses grupos", adicionou.
Outro tema abordado foi a possibilidade de impactos sobre o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil. De acordo com Roberson, qualquer avaliação sobre eventuais reflexos financeiros decorrentes das novas classificações ficará sob responsabilidade do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Ela explicou que uma das principais consequências da medida é permitir o bloqueio de transações ligadas aos grupos criminosos, especialmente aquelas utilizadas para movimentação de recursos de origem ilícita. No entanto, evitou comentar situações específicas ou possíveis investigações em andamento.
"Uma das ferramentas que essas designações libera para o governo dos EUA é bloquear qualquer tipo de transação com esses grupos criminosos. Agora a implementação dessas designações é responsabilidade do Departamento do Tesouro. Serão eles que vão se encarregar de fazer análises, investigações. É impossível falar de qualquer caso específico. Mas sabemos que o propósito e a meta é romper as redes financeiras ilícitas que esses grupos usam para financiar as suas operações", assinalou.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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