Quinta, 16 de abril de 2026
Imagens: Reprodução/CNN
O avanço da inadimplência no Brasil já começa a acender alerta sobre os impactos diretos na economia. Segundo o pesquisador João Mário de França, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o nível de endividamento das famílias compromete cerca de um terço da renda média e tende a afetar o consumo e o crescimento do país.
Em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (15), o especialista afirmou que o consumo é o principal motor do PIB brasileiro e que o aumento das dívidas pode desacelerar a atividade econômica. “Esse endividamento, essa inadimplência, rapidamente vai bater no consumo, e isso vai impactar o ritmo da economia”, disse.
De acordo com o pesquisador, dois fatores têm peso direto na situação atual: os juros elevados e a inflação, que continua pressionando o poder de compra das famílias. Ele destaca que, apesar da taxa básica de juros (Selic) servir como referência, a realidade do consumidor é mais dura, especialmente nas linhas de crédito mais caras. “As famílias estão muito expostas a modalidades como o crédito rotativo do cartão, que pode ultrapassar 400% ao ano”, afirmou.
Além disso, a inflação segue em patamar elevado, girando entre 4% e 4,5% ao ano, com destaque para o aumento dos preços dos alimentos, que impacta diretamente o orçamento doméstico.
Medidas do governo são vistas como paliativas
Sobre as iniciativas do governo para reduzir o endividamento — como o uso do FGTS para quitar dívidas — o pesquisador avalia que as ações têm efeito limitado. “São medidas emergenciais, de curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural das famílias”, explicou.
Segundo ele, o cenário atual cria um efeito “bola de neve”, em que consumidores recorrem a crédito cada vez mais caro, agravando o nível de endividamento. Para enfrentar o problema, o especialista defende medidas estruturais, como o ajuste das contas públicas — que pode contribuir para a redução dos juros — além de maior educação financeira da população.
A avaliação é de que, sem mudanças mais profundas, o avanço da inadimplência deve continuar pressionando o consumo e impactando diretamente o desempenho da economia brasileira.
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