Por Tácio Lorran, colunista do Metrópoles
Mensagens em posse da Polícia Federal e obtidas com exclusividade pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar do empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda. O empresário ganhou mais de R$ 80 milhões em contratos junto ao governo federal, especialmente durante o governo Lula.
Cleber Ribas é investigado pela PF no mesmo inquérito que apura corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente da República. Conforme revelou a coluna, o empresário pagou pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger para “prospecção de clientes”.
As mensagens revelam que a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger vai além de uma simples amizade. O filho do presidente não somente sabia da atuação e dos interesses da lobista, como também a orientava e participava de reuniões junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula.
No dia 24 de julho de 2023, Lulinha solicita a Roberta que ela convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para se dirigir à Praia do Forte, na Bahia. “Aqui todo mundo”, diz o filho do presidente. “Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”, responde a lobista. Em seguida, Lulinha orienta a amiga a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, comemora Lulinha.
O relatório da Polícia Federal narra ainda que dias depois Cleber Ribas solicitou a Roberta uma reunião com Lulinha, em 31/05/2023. Em seguida, ele informa que Rodrigo Assumpção assumiu como novo presidente da Dataprev.
Os inquéritos contra Lulinha foram autorizados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Flávio Dino e investigam, entre outros pontos, a relação do filho do presidente com empresários e sua suposta atuação junto a órgãos do governo federal.
“Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional – crime previsto no art. 325 do Código Penal –, o recorte seletivo e divulgação parcial revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria”, informaram os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho.
“A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso pleno aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”, prosseguiram.
A defesa de Cleber Ribas não se manifestou.
Procurado, o advogado Roberto Podval, que assumiu a defesa de Roberta Luchsinger, informou que não vai comentar, em razão do sigilo do inquérito.
Pagamento de R$ 150 mil
O pagamento feito pela 3Structure It à empresa de Roberta já havia sido identificado pela Polícia Federal. Segundo Cleber Ribas, a contratação da RL Consultoria ocorreu para a prestação de serviços de assessoria voltados à prospecção de clientes e à identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia.
A defesa do empresário afirma que a operação foi legítima, regularmente escriturada, contabilizada, tributada e documentada. Também sustenta que a contratação da consultoria não teve relação com os contratos da 3Structure It com o governo federal.
A 3 Structure It, criada em 2019 e sediada em Florianópolis, fechou seis contratos com o governo federal que somam R$ 85,7 milhões. Ao menos cinco foram celebrados após processos licitatórios.
O maior contrato foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Em 2023, a pasta contratou a 3Structure It para fornecer uma solução destinada à sustentação do ambiente analítico de dados do ministério. O valor acumulado ultrapassa R$ 42 milhões.
Outro contrato foi firmado com a Telebras. A amiga de Lulinha mantinha influência na estatal, segundo mensagens analisadas pela coluna do jornaista Tássio Lorran, do Metrópoles.
Relação de Lulinha e amiga lobista com o Careca do INSS
Roberta Luchsinger e Lulinha também aparecem nas investigações sobre a atuação de Antunes para tentar viabilizar negócios junto ao governo federal. O Careca do INSS buscava emplacar um contrato milionário para a compra de cannabis medicinal pelo Ministério da Saúde, iniciativa que acabou interrompida justamente por conta da deflagração da Operação Sem Desconto, que mira a chamada Farra do INSS.



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