Domingo, 23 de agosto de 2026
“Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça.” A frase não saiu de novela das nove. Está em conversa de WhatsApp encontrada pela Polícia Federal entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segundo revelou a coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles. Enquanto o aposentado brigava para reaver o desconto indevido na pensão, a turma planejava os Alpes.
Segundo o Metrópoles, os diálogos revelam que Lulinha “não somente sabia dos negócios, como também comentava, coordenava e participava de reuniões”. Os negócios orbitavam Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como operador do maior esquema de descontos irregulares já montado contra aposentados e pensionistas. Flávio Bolsonaro reagiu no mesmo dia: “A casa caiu para a família Lula.”
A situação já vinha pesada para o Planalto. Recentemente, Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, entregou-se à Polícia Federal depois de nove meses foragido. Alfredo Gaspar, que ganhou projeção como relator da CPMI do INSS, escreveu: “Hoje, tem muito poderoso temendo uma possível colaboração de Carlos Roberto Lopes”. Ele lembrou o tamanho do buraco apurado na comissão, “mais de R$ 800 milhões” retirados das contas de aposentados e pensionistas em descontos associativos irregulares, e avisou: “Eles não agiram sozinhos!”
Apareceu ainda um nome novo no enredo: Swedenberger Barbosa, o Berger, citado em mensagens do Careca entregues à PF, segundo o Metrópoles. Gaspar foi direto na acusação: Berger “ocupa um cargo de direção no Gabinete Pessoal de Lula e abriu todas as portas do Ministério da Saúde para esse criminoso”. Sergio Moro, que já viu muito processo na vida, deu o método: “Já vimos esse filme antes. Follow the money.”
O dinheiro, seguido, leva a lugares curiosos. No último domingo, o jornalista Lauro Jardim noticiou que a PF descobriu a compra de duas joias, pela lobista do Careca, para o ex-chefe de gabinete de Lula. Osmar Terra fez o inventário da fábula: “depois eram dois apartamentos de presente, agora saiu a notícia que também foram joias”.
Antes disso, um ex-diretor da World Cannabis afirmou à PF, em depoimento que correu a semana, que o Careca teria pago R$ 25 milhões a Lulinha. São acusações em apuração, com autores nomeados. O padrão é que impressiona.
Convém lembrar o que aconteceu com quem tentou puxar o fio. Gaspar denuncia que a CPMI avançaria sobre dez instituições bancárias quando a maioria governista bloqueou a continuidade dos trabalhos. E O Antagonista noticiou que o governo liberou R$ 884 milhões em emendas de parlamentares que livraram Lulinha na CPMI. O dinheiro público correu na direção exata da blindagem. Coincidência já não dá conta do serviço.
Flávio resumiu a linhagem do problema: “Mensalão… Petrolão Lava Jato… Mensalão do INSS e…. MARCOLÃO!” E há o detalhe do arrependimento com hora marcada: segundo Lauro Jardim, a devolução do dinheiro da amiga de Lulinha ao ex-chefe de gabinete só aconteceu “depois que a PF já estava de posse do celular dela, com a troca de mensagens entre os dois”. Devolver depois da apreensão não é remorso. É estratégia de defesa.
Pense no aposentado que descobriu um desconto de associação que nunca autorizou. Ele não sonha com a Suíça; sonha em fechar o mês com o remédio comprado. É dele o dinheiro que virou joia, apartamento e planos de Europa. O processo dirá quem vai preso e quem escapa. Mas o lema já ficou registrado: o futuro deles é a Suíça. O do aposentado, só Deus sabe…

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