martins em pauta

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Corrupção institucionalizada, generalizada e "legalizada": A estratégia de blindagem mútua

 Sexta, 03 de abril de 2026



















O caso ganhou proporções inimagináveis revelando uma rede de negócios envolvendo autoridades, políticos e alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No caso de Toffoli o escândalo veio com o Resort de Luxo frequentado por ele e administrado por seus irmãos e um dos seus primos através da Maridit Participações e da DGEP, que tiveram como sócio o fundo de investimento Arlin, gerido pela REAG Investimentos e suspeita de lavagem de dinheiro. Segundo a imprensa, a dinheirama dos negócios dos familiares do ministro teria sido repassada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O resort de luxo era o Tayayá, onde Toffoli se hospedava com os amigos. Toffoli confirmou ter feito parte da sociedade através da Maridit Participações, mas confessou ter saído da empresa em fevereiro de 2025, alegando que os negócios eram geridos pelos irmãos e por seu primo. Quanto a Alexandre de Moraes, que era amigo de Vorcaro, o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, gerando suspeitas e pedidos de investigação sobre o caso.  Relatos apontam que as mensagens entre Vorcaro e Moraes foram trocadas em novembro de 2025, no dia em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal. O ministro negou ter recebido tais mensagens, mas ninguém acreditou. Tampouco se acreditou que o contrato feito com a sua esposa tenha sido exclusivamente profissional.

Agora está em curso uma estratégia de blindagem mútua entre alguns ministros do STF e políticos ligados ao esquema. O início dessa blindagem teria sido a decisão do ministro Gilmar Mendes em restringir investigações e evitar processos de impeachment contra os ministros do Supremo limitando o poder de fiscalização do Congresso, estabelecendo que pedidos de impeachment de ministros do STF só poderiam ser apresentados pelo Procurador-Geral da República (PGR) e aprovados com uma maioria qualificada de dois terços (54 votos) no Senado para serem abertos, dificultando processos "fáceis". O Congresso avançou com a "PEC da Blindagem" (ou PEC das Prerrogativas), exigindo autorização prévia da Câmara ou do Senado para a abertura de ações penais contra parlamentares no STF, tentando frear decisões individuais de ministros. A tentativa da blindagem se insere no contexto de que a classe política é devotada ao princípio da sobrevivência a qualquer custo, enquanto nosso presidente procura explorar seu domínio da vulgaridade vernacular visando enganar a massa. Quanto ao STF, os ministros sabem que é preciso decidir fazendo leis, pois que quem faz a lei detém o poder. Concomitante a isso, todos os envolvidos no caso Master -direta ou indiretamente-, sabem que até que a última gota do escândalo seja espremida e a última lágrima de paixão se esvaia da discussão, serão indiciados os bodes expiatórios mais convenientes para abafar o caso. Depois, com o público entediado de tanta notícia, tudo cairá no esquecimento, pois todo mundo sabe que no Brasil a corrupção é institucionalizada, generalizada e garantida.

Foto de Luiz Holanda

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

Fonte: Jornal da Cidade Online

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contato : (84) 9 9151-0643

Contato : (84) 9 9151-0643