Terça, 13 de janeiro de 2023
O gesto consiste em atear fogo em uma foto do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e, com as chamas, acender o próprio cigarro. A cena, um ato de rebeldia para o regime ultraconservador imposto pela revolução de 1979, tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, quando manifestações tomaram quase 200 cidades da nação.
Os protestos começaram contra a alta no custo de vida, mas logo se voltaram contra os líderes religiosos no poder há quase quatro décadas. As normas severas do país afetam especialmente as mulheres —o Irã é um dos únicos países, ao lado do Afeganistão, que exigem por lei que as mulheres cubram o cabelo, por exemplo.
Foi justamente essa regra que causou as últimas manifestações em massa no Irã, em 2022. Naquele ano, a jovem de 22 anos Mahsa Amini foi morta sob custódia do regime após ser detida na capital iraniana por supostamente deixar parte do cabelo à mostra sob o véu islâmico.
As mortes nos atuais protestos também já estão em 538 desde o dia 28 de dezembro, segundo a ONG de direitos humanos Hrana. Desses, há 490 manifestantes e 48 membros de forças de segurança. O número de presos, ainda de acordo com a entidade, já supera 10 mil. Não é possível confirmar de forma independente esses números, e o regime até agora não divulgou balanço oficial de vítimas.
Uma das primeiras cenas de uma mulher acendendo o cigarro com chamas que consumiam uma foto de Khamenei foi gravada no Canadá e publicada em uma conta na rede social X, de acordo com a imprensa internacional. Em seguida, outras mulheres se filmaram fazendo o mesmo.
Fonte: Jornal da Cidade Online


Nenhum comentário:
Postar um comentário