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domingo, 10 de maio de 2020

Apesar da pandemia, indústria de alimentos contrata 6 mil e abre turnos no país

Domingo, 10 de Maio de 2020


Na fábrica da Nestlé em Marília (SP), cobertura total para os funcionários | Foto: Divulgação

Com faturamento de R$ 699 bilhões e representando 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a indústria de alimentos e bebidas teve que se readaptar aos tempos de coronavírus para continuar mantendo a produção. Na contramão de outros setores, contratou 6 mil pessoas, abriu novos turnos em fábricas e reorganizou as linhas de produção para evitar a contaminação de funcionários. Embora no início da pandemia no Brasil, em março, tenha havido uma corrida aos supermercados para estocar alimentos, não houve desabastecimento nas redes.

— O país não enfrentou problemas de desabastecimento. Monitoramos diariamente, em conjunto com os supermercados, qualquer risco para nos anteciparmos — diz João Dornellas, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Nas fábricas, os hábitos mudaram. Os trabalhadores, que já usavam máscaras, passaram a ter a temperatura medida na entrada, assim como visitantes e caminhoneiros.

A Nestlé, que tem 30 mil funcionários no Brasil, montou uma espécie de força-tarefa nas áreas de produção, logística e vendas, com deslocamento de funcionários de outros setores para garantir a operação. Foram instaladas barreiras de policarbonato nas linhas de produção para garantir o distanciamento de 1,5 metro entre os funcionários.

O crescimento das vendas de produtos lácteos, culinários e cereais levou a Nestlé a operar com capacidade máxima de produção. Para farmácias e hospitais, o abastecimento é feito no mesmo dia. Segundo a empresa, as vendas on-line cresceram 79% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo Fabio Cefaly, diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores da M. Dias Branco, dona da marca Piraquê, líder em biscoitos e massas no país, a empresa abriu 500 vagas na produção e para promotores de vendas, distribuídas por suas 15 fábricas. Isso tudo para manter o afastamento preventivo de funcionários do chamado grupo de risco para Covid-19.

Nos frigoríficos, embora tenham sido registrados casos de Covid-19, a maior parte das linhas de produção continua em operação. A Minerva, terceira maior produtora de carne bovina do país, aumentou a distância entre empregados e reduziu a velocidade e o volume de abate. Para compensar, algumas unidades da empresa adotaram segundo turno.

Edison Ticle, diretor financeiro da Minerva, diz que houve uma queda no fornecimento para os clientes do segmento food service (alimentação fora de casa), com migração das vendas dos restaurantes para o varejo. Para apoiar esses clientes, a empresa ampliou prazos de pagamento, que em alguns casos chegam a 60 dias.

O Globo

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