martins em pauta

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Subprocurador escolhido por Gonet para atuar nas ações do Caso Master na PGR dá aulas com Alexandre de Moraes na USP

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Gustavo Moreno/STF

O subprocurador André de Carvalho Ramos, escolhido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar nas ações do Caso Master na PGR, mantém relação profissional com o ministro Alexandre de Moraes na Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com apuração do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, Ramos e Moraes são professores responsáveis pela disciplina “Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento”, criada na USP em maio de 2026 e com 120 horas-aula. A matéria também tem como responsável o ministro do TSE André Ramos Tavares.

Ramos foi designado na sexta-feira (11) para atuar, ao lado de Gonet e do vice-PGR Hindenburgo Chateaubriand, nos processos relacionados ao Caso Master, que envolvem o banco de Daniel Vorcaro e citam Moraes.

O STF deve decidir nesta terça-feira (15/9) se autoriza a abertura de uma investigação formal sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.

CASO MASTER: PGR apoia pedido de Moraes para revelar pagamentos de Vorcaro

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Bruno Moura/STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira (14) a favor da retirada do sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master.

A abertura da Petição 15.645 foi pedida pelo ministro Alexandre de Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin. Moraes sustenta que o processo contém “elementos essenciais” para o julgamento desta terça-feira (15), quando a Corte vai analisar as mensagens trocadas entre ele e Vorcaro.

O vice-procurador-geral Hidenburgo Chateaubriand afirmou que a PGR não tinha conhecimento da existência da petição e que o processo sequer aparece visível ao órgão no sistema do Supremo. Mesmo assim, considerou que o sigilo deve ser retirado diante da relevância apontada por Moraes para o julgamento.

Segundo a CNN, a petição reúne informações sobre pagamentos de Vorcaro e do Banco Master e foi distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça.

A manifestação ocorre em meio à disputa interna no STF sobre o acesso aos documentos das investigações do Master. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também pediram acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro antes da sessão desta terça.

Nunes Marques toma atitude inesperada a poucas horas do julgamento envolvendo Moraes

Terça, 15 de setembro de 2026

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal, Nunes Marques, teve uma reunião nesta segunda-feira, 14, com o presidente da Corte, Edson Fachin. O encontro aconteceu na Presidência do STF, mas não foi registrado nas agendas oficiais dos dois ministros.

O Supremo não informou qual foi o tema tratado na conversa. A reunião, porém, ocorreu na véspera do julgamento de um processo que envolve um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes.

Inicialmente, o processo estava sob a relatoria de André Mendonça, ministro que, assim como Nunes Marques, chegou ao STF por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No fim de semana, entretanto, Fachin assumiu a condução do caso.

Além de assumir a relatoria, o presidente do Supremo determinou a suspensão temporária das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes nos descontos do INSS, processos que também estavam sob responsabilidade de Mendonça.

Fachin determinou ainda que os respectivos processos fossem encaminhados à Presidência do STF. Com os casos em mãos, o ministro poderá avaliar se também assumirá as relatorias ou se submeterá a questão à análise do plenário da Corte.

Com a mudança na relatoria, Fachin passa a estabelecer o rito do julgamento. Também caberá a ele apresentar o relatório aos demais ministros e proferir o primeiro voto durante a sessão.

A decisão de assumir o processo foi fundamentada na possibilidade de aplicação das regras de impedimento estabelecidas pelo Código de Processo Civil.

A sessão está prevista para começar às 10h desta terça-feira, 15. Como mostramos, André Mendonça pretende antecipar seu voto sobre o pedido de providências apresentado em relação a Moraes durante o julgamento.

A iniciativa de Mendonça teria como objetivo reduzir a possibilidade de que outro ministro solicite vista do processo e, dessa forma, interrompa a análise. Nos bastidores, integrantes da ala ligada a Alexandre de Moraes articulam alternativas regimentais para tentar transferir a discussão para um período posterior às eleições de outubro.

Uma das estratégias avaliadas seria, inicialmente, utilizar um pedido de vista para adiar o debate. Ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino teriam enviado sinais ao presidente do STF sobre possíveis consequências eleitorais relacionadas ao julgamento do pedido de providências.

Fonte: Jornal da Cidade Online


Dino cita atuação de Cezinha de Madureira em despachos com ministros do STF e honorários de R$ 1 milhão

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Antônio Augusto/STF

Na decisão que autorizou a deflagração da Operação Transparência 3 da Polícia Federal, nesta segunda-feira (14), o ministro do STF  Flávio Dino mencionou a atuação do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) em contatos com ministros da Corte em processos de interesse de clientes. Cezinha e a advogada Valéria Rodrigues Linhares trabalhariam para influenciar decisões favoráveis a clientes captados pela advogada Mariângela Fialek. A investigação apura “tráfico de influência junto a tribunais superiores”. A informação é da jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna da Folha de S. Paulo.

De acordo com o relatório, Cezinha, que não é advogado, faria “despachos” diretamente com ministros como Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Edson Fachin.

A investigação também cita contratos com honorários de R$ 1.000.000,00 e aditivo de R$ 2.000.000,00 em caso de sucesso. Em um dos documentos, o pagamento estaria condicionado à concessão da liberdade do contratante, ainda que com medidas cautelares.

Valéria Linhares também é alvo da operação. Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo em uma bagagem que estava com a advogada.


Facção criminosa faz festa dentro da cadeia... E o motivo é assustador!

 Terça, 15 de setembro de 2026

Na sexta-feira, 4 de setembro, Jorge Seif Junior publicou uma denúncia que dispensa enfeite: uma festa pelos 33 anos do PCC dentro de uma penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul

O senador questionou a presença de celulares e drogas na unidade. Segurança máxima, veja só. A expressão deveria descrever o controle do Estado, não funcionar como ironia pronta para quem está trancado lá dentro.

No domingo, 6 de setembro, General Pazuello relatou outra afronta, no Rio de Janeiro: criminosos haviam roubado uma viatura da Polícia Militar em meio a uma disputa de facções. Registrou também o desfecho:

“A resposta veio: viatura recuperada e três criminosos presos.”

É uma informação que precisa acompanhar a denúncia. Apagar a reação policial para pintar um país sem resistência seria tão desonesto quanto usar as prisões para fingir que a ousadia do ataque não aconteceu. Houve resposta. E houve um problema que não pode virar rotina. Quem recuperou o veículo merece reconhecimento; quem responde pela segurança deve explicar como pretende evitar a repetição.

No sábado, 5 de setembro, André Fernandes acusou:

“O crime organizado dominando o Ceará e o Lula ainda teve coragem de vir aqui fazer campanha para o Elmano.”

É uma crítica política que cobra resposta política. Uma visita presidencial deveria produzir compromissos verificáveis de segurança, não terminar na fotografia de campanha.

Há um contraste de abordagem nas publicações da semana. Na quinta-feira, 3 de setembro, Tarcísio Gomes de Freitas apresentou seu relato sobre a Cracolândia:

“Por mais de 30 anos, a Cracolândia foi tratada como uma realidade impossível de resolver.”

Ele afirmou ter enfrentado o tráfico e acolhido pessoas que precisavam de ajuda. É uma prestação de contas do próprio governante, que deve ser confrontada com resultados. Ainda assim, enfrentar o problema é um ponto de partida melhor do que consagrá-lo como paisagem inevitável.

Polícia e cuidado não são inimigos. Quem sofre com a dependência precisa de assistência; quem explora esse sofrimento pelo crime precisa responder pelo que faz. Confundir os personagens beneficia o explorador. Como sempre, o morador que não pode contratar proteção particular fica por último.

Também não cabe jogar todos os episódios na conta de uma única autoridade sem identificar responsabilidades. Uma denúncia sobre presídio, um ataque no Rio e uma crítica ao governo cearense não pertencem automaticamente à mesma cadeia de comando. A cobrança séria identifica o responsável pela fiscalização e exige saber o que foi feito depois. Lula não deve ser poupado quando a crítica alcança sua atuação política. Governadores tampouco podem usar Brasília como esconderijo para os próprios deveres.

A resposta conservadora precisa ser mais exigente do que um slogan de guerra. Deve cobrar controle efetivo das prisões, investigação sobre a entrada de objetos proibidos e punição de eventuais facilitadores, com provas. Isso não pede licença para tortura nem autoriza atribuir culpa a todos os servidores. Pede que o Estado funcione. O policial que recupera uma viatura não deveria trabalhar para que a estrutura negligente entregue outra vantagem ao crime logo depois. O teste de autoridade vem depois da operação, quando o noticiário muda de assunto e a população continua morando no mesmo lugar.

Uma festa de facção dentro de uma cadeia é uma mensagem de poder. A resposta não pode se limitar a outra nota de repúdio. A chave da prisão está nas mãos do Estado. Se o comando fica com o preso, a autoridade está do lado errado da grade.

Essa é uma matéria da Revista A Verdade! Acesse a última edição no link: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/299

da Redação / Jornal da Cidade Online

CREDIBILIDADE EM QUEDA: Desconfiança no STF dispara 10 pontos e chega a 56% em meio à crise, aponta Quaest

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra que 56% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF), uma alta de dez pontos percentuais em apenas um mês, confirmando que a crise aberta pela revelação dos diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro abalou a imagem da Corte.

No levantamento anterior, realizado em agosto, a desconfiança era de 46%. Ao mesmo tempo, o percentual dos que dizem confiar muito no STD despencou de 18% para 9%. Outros 30% afirmaram confiar pouco.

A pesquisa foi realizada em meio ao confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, provocado pelas investigações do caso Banco Master e pelos registros de contatos entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03607/2026.

Com informações do jornal O Globo

ESTATAL NO VERMELHO: Com rombo bilionário no governo Lula, greve dos Correios segue sem prazo e atinge o RN

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios, iniciada na última sexta-feira (11), continua por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento. No Rio Grande do Norte, o SINTECT-RN confirmou a adesão da categoria ao movimento.

O principal impasse envolve o plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. Para tentar reduzir os impactos, a estatal acionou um plano de contingência, com remanejamento de veículos, mutirões e uso de funcionários administrativos em atividades operacionais.

Após o fracasso das negociações, os Correios levaram o caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Uma decisão liminar determinou a manutenção de 80% do efetivo em cada unidade. O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, mas um acordo ainda pode ser fechado antes.

A paralisação ocorre em meio à grave crise financeira da estatal no governo Lula. Os Correios acumulam 15 trimestres seguidos no vermelho e registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões somente no primeiro semestre de 2026. A empresa aguarda para esta terça-feira (15) a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões.

Com informações do g1


“ONDE ESTÁ A GRANA?”: Vorcaro cobrou cunhado por aporte no Tayayá Resort

Terça, 15 de setembro de 2026

Foto: Fotos de Evaristo Sá/AFP e Ana Paula Paiva/Valor

Conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram o ex-dono do Banco Master cobrando informações sobre aportes no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro, no Paraná. Em uma das mensagens, o banqueiro pergunta ao cunhado Fabiano Zettel: “Onde tá a grana?”.

Os diálogos, divulgados pelo jornalista Mino Pedrosa no portal Fatos On-line, citam pagamentos anteriores de R$ 20 milhões e um novo aporte de R$ 15 milhões. Zettel afirma: “Aportamos os 15. Agora falta só transferir”.

As conversas começaram em março, quando o advogado Guilherme Lippi procurou Vorcaro para tratar da transferência do fundo Arleen e se apresentou como sócio do resort. Lippi já atuou para uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli. A crise que abala o STF teve início justamente após vir à tona a relação de Toffoli com pessoas ligadas ao Caso Master.

Em agosto, diante da demora no aporte, Vorcaro aumentou o tom das cobranças. “Aquele negócio no Tayayá não foi feito?”, questionou. Depois, afirmou que a situação havia causado “um puta problema” e exigiu saber o que já havia sido realizado.

Com informações do Metrópoles


A marreta e o trono

 Terça, 15 de setembro de 2026

Durante muito tempo, ele permaneceu sentado no alto de seu trono nacional, contemplando o país de cima para baixo. Ao redor, uma corte inteira o reverenciava. Alguns por admiração, muitos por conveniência e outros simplesmente por medo.

Parecia intocável.

Até que surgiu um cidadão aparentemente pequeno diante daquela estrutura gigantesca. Chamava-se André Mendonça e trazia nas mãos apenas uma marreta — não de ferro, mas feita de documentos, decisões e perguntas que já não podiam ser evitadas.

A primeira pancada provocou apenas um ruído.

A segunda abriu uma rachadura.

Na terceira, o imponente trono começou a balançar.

O mais revelador, entretanto, não foi o estremecimento do pedestal. Foi perceber que ninguém ao redor correu para sustentá-lo. Os antigos admiradores recuaram, os aliados silenciaram e aqueles que antes disputavam um lugar próximo passaram a observar tudo a uma distância bastante segura.

Talvez já soubessem que o trono não era tão sólido quanto parecia.

Quem se acostuma a ser glorificado pode confundir reverência com lealdade. Mas é justamente quando o pedestal começa a ruir que se descobre quem era companheiro e quem apenas permanecia por perto enquanto o poder parecia indestrutível.

Mendonça ainda não derrubou o trono. Porém, suas marretadas mostraram ao Brasil algo decisivo:

O ocupante ainda continuar sentado — mas já não está tão seguro nas alturas.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.


Fonte: Jornal da Cidade Online

Belém dá show em grande festa com a chegada de Flávio Bolsonaro (veja o vídeo)

 Terça, 15 de setembro de 2026

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está em Belém (PA).

A capital parou em uma grande festa. Um verdadeiro mar verde e amarelo!

As imagens são impressionantes.

Veja: 

FINANCIAL TIMES: Crise no STF ameaça influenciar rumos da eleição presidencial

Terça, 15 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro e Lula — Foto: Getty Images via BBC

 

Uma reportagem publicada neste domingo (13) pelo jornal britânico Financial Times aponta que a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ter impacto decisivo na eleição presidencial do próximo mês. O jornal descreve o embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça como uma “disputa acirrada” que aumenta a incerteza na corrida entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Embora o presidente não seja acusado no caso Banco Master, o Financial Times avalia que a crise atinge uma vulnerabilidade histórica do petista, ao relembrar sua prisão por corrupção em processos posteriormente anulados.

Do outro lado, Flávio tenta transformar o desgaste do STF em combustível eleitoral. O senador reforçou os pedidos de impeachment de Moraes, responsável pela condenação de Jair Bolsonaro, e disparou durante agenda com apoiadores: “Um voto em Lula é um voto em Moraes”.

O jornal lembra, porém, que Flávio também foi citado no inquérito sobre o Banco Master. Revelações divulgadas em maio apontaram que ele pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A defesa afirmou que a operação foi legal. Segundo o Financial Times, Flávio encurtou a distância nas pesquisas e alcançou empate técnico com Lula, que tenta conquistar um quarto mandato não consecutivo.

Com informações do G1

O STF ocupa o palco, mas a conta chega ao cidadão

 Terça, 15 de setembro de 2026

O impasse no Supremo Tribunal Federal, os relatórios de inteligência e o afastamento temporário do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, são assuntos relevantes para o funcionamento das instituições. Mas existe uma outra dimensão da corrupção, menos concentrada nos palácios e muito mais próxima da vida do cidadão, aquela que retira recursos de aposentadorias, compromete fundos previdenciários e reduz o dinheiro disponível para políticas públicas.

Enquanto o país acompanha o conflito entre ministros e as disputas em torno das investigações, bilhões de reais são objeto de suspeitas e investigações em diferentes áreas. Para quem vive de salário ou benefício, a consequência não aparece em uma disputa jurídica. Aparece na falta de recursos para serviços públicos, na insegurança sobre a aposentadoria e, em alguns casos, diretamente no próprio bolso. O governo Lula administra um Estado em que esses bilhões saem de aposentadorias, emendas parlamentares e fundos previdenciários antes de chegar a quem precisa.

O retrato internacional também não é confortável. No Índice de Percepção da Corrupção de 2025, divulgado pela Transparência Internacional em fevereiro deste ano, o Brasil obteve 35 pontos e ficou na 107ª posição entre 182 países. A entidade classificou o resultado como uma estagnação em patamar baixo e destacou a fragilidade dos mecanismos de integridade e controle da corrupção no setor público. 

O cenário envolve episódios de naturezas diferentes, mas que têm em comum o impacto sobre recursos públicos e instituições. A própria Transparência Internacional citou os casos do INSS e do Master entre os grandes episódios de macro corrupção que marcaram o período.

O relatório aponta falhas estruturais expostas por escândalos sucessivos: a captura orçamentária pelas emendas parlamentares, herdeiras do Orçamento Secreto; as fraudes no INSS; o caso do Banco Master; e irregularidades que alcançam o próprio Judiciário. Não são episódios isolados. São sinais de interesses ilícitos instalados em áreas estratégicas e de resposta fraca dos órgãos de controle sob a gestão atual.

No caso do INSS, a dimensão humana é especialmente grave. A fraude nos descontos associativos atingiu aposentados e pensionistas que tiveram valores retirados de seus benefícios sem autorização. O dinheiro que deveria garantir despesas básicas acabou no centro de um esquema que passou a ser investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União.

É difícil imaginar exemplo mais direto de como a corrupção alcança quem está longe do poder. Para um aposentado de baixa renda, um desconto indevido não é apenas uma irregularidade contábil. Pode representar menos dinheiro para comprar remédios, alimentos ou pagar uma conta doméstica.

O caso Banco Master acrescentou outra dimensão ao problema. A crise alcançou instituições financeiras, fundos de previdência e o sistema de proteção aos investidores. No primeiro semestre de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos informou ter desembolsado R$40,2 bilhões em garantias relacionadas ao conglomerado Master, envolvendo cerca de 722 mil clientes. 

As investigações continuam revelando novas conexões. Relatório recente da Polícia Federal apontou que o Banco de Brasília transferiu cerca de R$17 bilhões ao Master na compra de carteiras de crédito, sendo que parte expressiva dos ativos era considerada fraudulenta pela investigação.

É nesse ponto que a discussão sobre corrupção precisa sair do espetáculo político e voltar ao cidadão. A disputa entre ministros, os sigilos, os relatórios e os embates institucionais são importantes e precisam ser esclarecidos. Mas não podem fazer desaparecer a pergunta essencial: quem paga a conta quando recursos que deveriam servir à sociedade são desviados, mal administrados ou colocados sob suspeita?

A resposta é conhecida: o cidadão.

O trabalhador paga quando o serviço público perde qualidade. O aposentado paga quando seu benefício é fraudado. O contribuinte paga quando os recursos são desperdiçados. O brasileiro mais pobre é quem tem menos condições de se proteger dessas perdas.

Por isso, combater a corrupção não pode significar apenas acompanhar quem venceu ou perdeu a disputa entre autoridades. Significa garantir que o dinheiro público chegue aonde deveria chegar, que os responsáveis sejam investigados e punidos independentemente de partido ou posição institucional e que os mecanismos de controle funcionem antes que o prejuízo alcance a população.

O palco pode estar em Brasília, mas a conta chega à casa do brasileiro.

Foto de Carlos Arouck

Carlos Arouck

Policial federal. É formado em Direito e Administração de Empresas.


Fonte: Jornal da Cidade Online

Contato : (84) 9 9151-0643

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