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sexta-feira, 22 de maio de 2026

O débil protesto dos estudantes da USP: A turma que culpa o "sistema capitalista" pela concentração de renda quer mais dinheiro...

 Sexta, 22 de maio de 2026




O mesmo orçamento do Estado de São Paulo prevê gastos de R$ 3 bilhões para as escolas de nível médio técnico, uma ilha de excelência dentro do universo das escolas públicas paulistas. Considerando um total de 224 mil alunos nessas escolas, temos um gasto médio de R$ 13 mil por aluno/ano, ou pouco mais de R$ 1 mil/mês. Assim, o gasto por aluno das universidades públicas paulistas é quase 7 vezes superior ao gasto com o aluno da ilha de excelência da rede pública fundamental paulista. Imagine o resto da rede.

Esses números introduzem o assunto de hoje. Matéria do Estadão mostra que 1/3 dos professores da rede pública brasileira do ensino fundamental não atinge o nível de proficiência necessária para dar aulas. E olha que a barra é baixa, basta tirar 5 na prova. Na reportagem não há estratificação por unidade da federação, mas podemos imaginar que os professores de São Paulo se saiam um pouco melhor do que a média brasileira. Mesmo assim, trata-se de um número horroroso.

Na mesma página, há o registro de uma manifestação de “estudantes” da USP em greve. Eu estava lá. Era no horário de volta para casa, cerca de seis da tarde. O trânsito ficou travado na Faria Lima, e se via as pessoas descendo dos ônibus e caminhando a pé em direção à estação do metrô. Eram trabalhadores que só queriam descansar depois de um dia de labuta e, em sua imensa maioria, certamente não tiveram o privilégio de estudar na USP. Pelo contrário, eram oriundos desse sistema falido de ensino fundamental público.

Enquanto isso, os “estudantes” da USP protestam porque querem mais, os R$ 7 mil/mês não são suficientes. São os mesmos que vão culpar o “sistema capitalista” pela concentração de renda no país.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.


Fonte: Jornal da cidade Online

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