Domingo, 29 de março de 2026
Em decisão mais recente, Moraes sustentou que sua nova interpretação busca assegurar a efetividade do posicionamento institucional do STF, ainda que isso implique rever sua manifestação anterior sobre o tema.
Cabe recordar que, há cerca de sete meses, o ministro havia concedido decisão liminar permitindo o compartilhamento desses relatórios sem a necessidade de autorização judicial prévia. Naquele momento, ele afirmou ser possível o “compartilhamento de RIFs sem autorização judicial, desde que em procedimento formalmente instaurados e com garantia de sigilo”.
Na ocasião, Moraes também advertiu que a eventual invalidação dessas provas poderia acarretar “graves consequências à persecução penal”. Entre os possíveis efeitos listados, estavam a “anulação de provas, o trancamento de inquéritos, a revogação de prisões, a liberação de bens apreendidos e a invalidação de operações policiais essenciais ao combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal”, o que evidenciava a relevância prática desses documentos para investigações em curso.
Os RIFs são elaborados pelo Coaf sempre que são identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, sendo posteriormente encaminhados a órgãos responsáveis pela apuração. Atualmente, esses relatórios têm sido utilizados em investigações envolvendo o Banco Master, o que amplia a repercussão da decisão.
De acordo com os documentos produzidos pelo órgão, foram registradas transferências que incluem R$ 1,5 milhão repassados por Fabiano Zettel ao irmão de um ex-diretor do Banco Central, além de movimentações que chegam a R$ 100 milhões. Os relatórios também mencionam contratos relacionados ao escritório do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, bem como transferências de R$ 4 milhões destinadas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.
Paralelamente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) teve acesso a 80 relatórios elaborados pelo Coaf sobre o caso. O envio ocorreu pouco antes do encerramento das atividades do colegiado, realizado neste sábado, 28.
O término da CPMI foi confirmado após decisão do STF que rejeitou a prorrogação dos trabalhos por 8 votos a 2, sendo que o próprio Alexandre de Moraes votou a favor do encerramento.
Fonte: Jornal da Cidade Online






