Sábado, 17 de outubro de 2026
Rosângela da Silva, conhecida como Janja, transformou o papel tradicional de primeira-dama em protagonismo político constante. Sem cargo eletivo ou função oficial no Executivo, ela atua como articuladora, censora informal de discursos, interfere em agendas e é presença onipresente nos palanques.
O resultado, segundo relatos de bastidores e avaliações públicas, é uma combinação de exposição excessiva, sequências de declarações polêmicas e desgaste que agora atinge o próprio entorno de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente após o primeiro turno das eleições de 2026, em que Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro.
A imagem negativa dela já batia 58% em pesquisas anteriores, e a atuação na campanha reforçou críticas internas no PT. Petistas e aliados passaram a questionar, em reuniões reservadas, o espaço ocupado por Janja — maior, em alguns momentos, que o do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A ex-senadora Kátia Abreu chegou a defender publicamente “menos Janja e mais Alckmin”, recebendo aplausos. Interlocutores descrevem a primeira-dama como barreira que filtra informações ao presidente, mantém-no isolado em uma bolha e decide sobre prioridades, discursos e até quem sobe ao palco.
Sequência de tropeços diplomáticos e quebra de protocolo
Desde o início do terceiro mandato, Janja colecionou episódios que misturam despreparo institucional e busca de protagonismo. Em visita ao barracão da Portela, divulgou imagens da águia — símbolo tradicionalmente revelado só no desfile —, gerando revolta entre sambistas por quebra de tradição; o material foi apagado depois.
No G20 Social, interrompida por um apito de navio, ironizou dizendo “deve ser o Elon Musk” e soltou um “F* you, Elon Musk”, desviando o foco do evento internacional e recebendo resposta do bilionário. Em outro painel, reagiu com grosseria a uma mulher que chamou o festival de música de “Janjapalooza”.
Em encontro com o presidente chinês Xi Jinping, ela pediu a palavra para falar de supostos danos do TikTok a mulheres e crianças, causando constrangimento diplomático.
Janja também acusou o casal Bolsonaro de ter “levado tudo” do Alvorada (móveis que depois reapareceram, com o governo condenado a indenizar), enquanto comandava reforma de mais de R$ 26 milhões.
Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a primeira-dama postou vídeo dançando na Índia. Sobre o autor do suposto atentado na Praça dos Três Poderes, ironizou que “o bestão lá acabou se matando com fogos de artifício”.
Viagens internacionais com hotéis de luxo e gastos elevados também geraram questionamentos no TCU (posteriormente arquivados). Em declarações, Janja chegou a afirmar autonomia total e ausência de “linha de hierarquia” com o marido, posicionando-se como interlocutora independente.
A mão na campanha e o “fogo amigo”
Na disputa de 2026, Janja passou a discursar em comícios, cantar jingle de tom gospel (“Tapete vermelho”), interferir em reuniões, repreender o presidente publicamente e influenciar a escolha de atrações e estratégias. Relatos apontam que ela centraliza decisões, prepara falas e insiste em agendas com artistas — público já capturado, segundo críticos internos. A indicação de nomes para a comunicação digital, como a de Ana Elisa, resultou em uma série de fracassos nas redes.
Após o resultado do primeiro turno, as críticas se intensificaram nos bastidores. O tema é tratado como tabu no Planalto: quem ousa tocar no assunto corre risco de ser chamado de misógino. Ainda assim, lideranças admitem, sob reserva, que ela “manda em absolutamente tudo”, afasta o presidente do contato direto com eleitores sob pretexto de segurança e contribui para uma visão estreita da realidade. Em Minas Gerais, xingar o deputado Nikolas Ferreira de “piá de bosta” teria irritado parte do eleitorado.
Para a jornalista e vereadora de Porto Alegre Fernanda Barth, Janja é a rainha das gafes e das falas desastrosas:
“Ela não tem noção de institucionalidade de cargo, de política, do que quer que seja, é uma alpinista social em busca de protagonismo, querendo cacifar seu nome para um dia ser candidata a alguma coisa. Quando ela faz vídeos, tentando dar a entender para as mulheres que votar no Flávio vai ser uma perda de algum tipo, na verdade, só quem perde é ela. Perde esbanjar o nosso dinheiro em viagens desnecessárias com cartões corporativos, sem limite, tudo com sigilo de 100 anos”, ressaltou.
De acordo com Fernanda, Janja é a censora número um do Lula:
“Ela é aquela que dirige a campanha, que dirige a vida e que mantém o Lula dentro da bolha da extrema esquerda, iludido, inclusive achando que ia ganhar no primeiro turno. A Janja é um desserviço para o Brasil, mas ela também é um desserviço para a esquerda, porque causa mal-estar até entre os extremistas de esquerda que não aguentam mais vê-la dando palpite furado. Ou seja, Janja é quase cabo eleitoral do Flávio. De tanta bobagem que faz, está levando o seu marido para o fundo do buraco, mas eu prefiro o Lula no fundo do buraco que o Brasil no fundo do buraco!”, completou, em entrevista exclusiva à Revista A Verdade.
Essa é uma matéria da Revista A Verdade. Acesse a última edição: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/304



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