A decisão foi tomada após solicitação da Polícia Federal (PF), que pretende identificar a origem da divulgação de dados relacionados a procedimentos sigilosos. A investigação buscará esclarecer como essas informações chegaram ao conhecimento público.
Paralelamente a esse novo procedimento, a defesa de Lulinha já havia recorrido ao Ministério da Justiça e à Corregedoria da Polícia Federal para requerer a apuração de um suposto vazamento de informações referentes ao inquérito que investiga a chamada Farra do INSS. Conforme divulgado anteriormente, esse pedido ainda aguarda análise.
Enquanto passa a ser tratado como vítima nesse novo caso, Lulinha continua sendo alvo de outras três investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Os procedimentos foram determinados pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, após pedidos apresentados pela Polícia Federal.
Duas dessas apurações têm relação com suspeitas envolvendo o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A terceira investiga possível prática de tráfico de influência.
No inquérito relacionado ao Ministério da Saúde, autorizado pelo ministro André Mendonça, a Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.
Outra investigação, também autorizada por Mendonça, trata de supostas tentativas de obtenção de contratos públicos junto à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Segundo a Polícia Federal, um empresário do setor de tecnologia teria atuado em conjunto com Lulinha, Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e a empresária Roberta Luchsinger para buscar oportunidades de negócios com o governo federal.
Já o terceiro inquérito, cuja autorização foi concedida por Flávio Dino, apura a suspeita de que Lulinha tenha utilizado a influência decorrente de sua condição de filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para beneficiar empresas parceiras, especialmente a 3Structure IT, companhia que atua no segmento de tecnologia.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa possui contratos que somam R$ 55,7 milhões com o governo federal. O primeiro deles foi firmado em novembro de 2022 com o Centro Integrado de Telemática do Exército para o fornecimento de soluções de tecnologia da informação e comunicação destinadas à ampliação da infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército.
Inicialmente celebrado no valor de R$ 21,8 milhões, esse contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano. A apuração sobre a relação entre Lulinha e a empresa foi autorizada pelo ministro Flávio Dino.
Na última quinta-feira (30/7), André Mendonça também autorizou a abertura da primeira investigação envolvendo Lulinha. Nesse procedimento, a Polícia Federal apura a suposta atuação do empresário em negociações relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal em contrato vinculado ao Ministério da Saúde.
Os investigadores também buscam esclarecer se o empresário teria atuado em benefício de empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", investigado por suspeita de participação em fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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