Terça, 03 de novembro de 2026
A reeleição de Lula aprofunda a erosão das instituições, arma uma bomba fiscal e expõe uma crise de valores. A conta virá para todos.
Lula terminou o primeiro turno atrás e venceu o segundo de virada. O resultado é um desastre. Como todo desastre, ele tem várias faces, e três delas exigem atenção imediata: a institucional, a econômica e a social.
A face institucional
Essa nós já conhecemos. Os órgãos públicos foram aparelhados. Os freios e contrapesos deixaram de frear e de contrapesar. Temos um Supremo politizado, que legisla, investiga e julga. A censura voltou com o nome de “combate à desinformação”. E os escândalos se acumulam: desvios, favorecimentos e conflitos de interesse de toda espécie.
Um quarto mandato agrava esse quadro. Lula levou ao Supremo Dias Toffoli, ex-advogado do PT, depois seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, e seu ministro da Justiça, Flávio Dino. Tentou emplacar o advogado-geral da União, Jorge Messias, e foi barrado pelo Senado. Fazia mais de um século que isso não acontecia. O recado foi claro, mas o presidente terá novas chances. Até 2030, as aposentadorias compulsórias abrem mais três cadeiras, além da que continua vaga. Ao fim do mandato, Lula poderá ter escolhido sete dos onze ministros da Corte, todos afinados com Alexandre de Moraes.
Uma democracia madura exige freios e contrapesos. Sem eles, o que sobra é autoritarismo com verniz democrático. E ele já está instalado.
A face econômica
O mercado deu seu veredito na própria noite da apuração: o dólar saltou cerca de 11% no mercado futuro.
A explicação é simples. A incompetência se juntou ao populismo para gastar o dinheiro público como se não houvesse amanhã. A lista de programas é longa: Bolsa Família, BPC, Desenrola, perdão de dívidas, R$ 5.000 para MEI, vale-gás, tarifa social de energia, Pé-de-Meia no ensino médio e na universidade, tarifa zero no transporte. Essa política expansionista pressiona a inflação. Somada à falta de credibilidade do governo e à fuga de capitais que derruba o real, ela empurra os juros para as alturas.
Juros altos travam o crédito, derrubam o consumo, quebram empresas e afastam o investimento. É o círculo vicioso perfeito para produzir uma recessão doméstica enquanto o mundo cresce. Como gostava de dizer Roberto Campos, o Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade.
A bomba fiscal vai estourar no colo de Lula. Ele não fará autocrítica, porque nunca fez. Como bom ilusionista, vai fabricar um inimigo e uma narrativa. Vai aumentar impostos “em nome do social”. O empresário que fechar as portas será chamado de fascista e acusado de sabotar o “sucesso” do governo.
O roteiro é conhecido: dólar alto, matérias-primas mais caras, carga tributária subindo, famílias endividadas e inadimplentes, empresas quebrando. O país empobrece, e o governo responde ampliando o assistencialismo para atender os pobres que ele mesmo multiplica.
A face social
Esta é a mais dolorosa, porque não depende só do governo. Depende de nós.
Uma parte expressiva dos brasileiros aceita a corrupção como custo do sistema. Acredita em promessas vazias e acredita que o Estado vai cuidar dela. Acredita também que pagar mais impostos reduz a desigualdade. É o contrário. No Brasil, o imposto pesa mais no consumo, e quem gasta toda a renda no supermercado paga proporcionalmente mais. Esse dinheiro sai do arroz e do feijão do pobre e vai sustentar privilégios, supersalários e uma máquina que serve a si mesma. Aqui, o imposto concentra renda.
Thomas Sowell resumiu o fenômeno: quando o povo quer o impossível, só os mentirosos podem satisfazê-lo.
Foram 64.256.232 votos. Depois de tantos escândalos, tanto aparelhamento e tantos ataques ao Estado de Direito, todos esses brasileiros concluíram que Lula é a melhor opção para governar o país. Diante disso, o problema deixa de ser apenas político e passa a ser de valores. A cultura que tolera tudo isso não muda em uma eleição.
As coisas vão piorar antes de começar a melhorar. Quem acredita na liberdade tem uma tarefa clara: preparar o terreno. Quando a conta chegar, o país precisa saber a quem cobrá-la e qual caminho seguir.
Alexis Fonteyne. Engenheiro e empreendedor
Fonte: Jornal da Cidade Online

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