Quinta, 19 de fevereiro de 2026
A Unidos de Niterói resolveu transformar a Sapucaí em palanque. Apostou alto. Escolheu homenagear Lula como símbolo máximo do enredo. Sabia que o tema não seria neutro. Sabia que provocaria reação. E provocou.
Desde o anúncio, a escola entrou em rota de colisão com parte do público. Não apenas pela figura política em si, mas pelo conjunto de narrativas que orbitam o personagem: ataques recorrentes à família tradicional, enfrentamentos com setores conservadores, embates constantes com a igreja e declarações que dividem o país há anos.
A escola escolheu esse campo de batalha.
E o preço veio na apuração.
O resultado foi devastador. Não foi uma derrota apertada. Não foi um detalhe técnico. A Unidos de Niterói terminou muito abaixo da penúltima colocada, com diferença expressiva de pontos. Um desempenho que não deixa margem para narrativa alternativa.
A pergunta que ecoa é simples: o público comprou a ideia?
Carnaval sempre teve crítica social. Sempre teve posicionamento. Mas há uma linha tênue entre crítica cultural e militância explícita. Quando o desfile vira extensão de disputa ideológica, o risco é transformar arte em polarização.
E polarização cansa.
Enquanto o enredo exaltava discursos já conhecidos, parte do público via ali uma provocação direta aos valores que defende. Família. Fé. Tradição. Conservadorismo. O Carnaval não é monolítico. A Sapucaí não tem lado único.
No fim, a matemática foi implacável. As notas foram frias. O brilho do discurso não compensou o desgaste acumulado.
A Unidos de Niterói apostou que a narrativa falaria mais alto que a técnica. Apostou que a militância empolgaria mais que o samba. Apostou que a avenida seria palanque seguro.
Não foi.
Na Sapucaí, plantaram vento. E colheram rebaixamento.
Veja o vídeo:


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