Segunda, 22 de junho de 2026
O ministro do STF André Mendonça afirmou, durante julgamento na última terça-feira, que recebeu uma proposta de “delação seletiva” relacionada ao caso Banco Master e criticou a iniciativa, não revelando o nome do autor.
“Perderam o pudor, ministro Gilmar.” “Me chegou uma proposta por um advogado (…) ‘Queremos fazer uma delação seletiva'”, declarou o magistrado durante sessão da Segunda Turma do Supremo.
A proposta teria sido apresentada pelo advogado Roberto Podval, que deixou a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em março. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela coluna da jornalista Carla Araújo, no UOL. Questionado, o advogado não comentou o assunto.
Proposta de delação rejeitada
Mendonça afirmou que rejeitou a ideia e exigiu colaboração integral. “Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo, não”, disse.
De acordo com a reportagem do UOL, a proposta envolveria evitar desgastes ao STF ao supostamente poupar ministros de acusações feitas por Vorcaro. O ministro, porém, teria deixado claro que qualquer acordo exigiria respostas completas sobre os fatos investigados.
Durante o julgamento, Mendonça também alertou para possíveis tentativas de interferência nas apurações. “Todos nós devemos zelar para evitar ensejarmos não só a nulidade, mas a hipótese de suspeitas sobre a condução (…) E mais que isso, ministro Gilmar: tentativas de obstaculizar as investigações. Isso é grave.”
Em outro momento da sessão, o ministro relembrou uma conversa com Gilmar Mendes antes de chegar ao STF. “Não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal. Não tenho medo de combater o crime, aplicando a lei”, afirmou.
Nos bastidores do Supremo, a atuação de Mendonça gerou críticas de integrantes da Corte, que questionam sua participação em discussões relacionadas à delação e a divulgação de informações da investigação.
Enquanto isso, a defesa de Daniel Vorcaro avalia mudar sua estratégia jurídica. A tendência, segundo a reportagem, é manter uma postura colaborativa, mas focar em atenuantes e brechas legais, sem apresentar uma nova proposta de delação no curto prazo.

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