Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no primeiro turno das eleições de 2026 em 714 municípios que haviam dado vitória a Lula (PT) na primeira etapa da disputa presidencial de 2022. O movimento contrário não ocorreu: Lula não venceu em nenhuma cidade que havia dado maioria a Jair Bolsonaro (PL) quatro anos atrás.
Minas Gerais concentrou o maior número de viradas, com 179 municípios. O estado teve uma das disputas mais apertadas da eleição presidencial de 2022, quando a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro ficou abaixo de 50 mil votos.
Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com 133 cidades; Paraná, com 91; São Paulo, com 90; e Goiás, com 69. Juntos, os cinco estados concentram mais de três quartos dos municípios que passaram da vitória de Lula em 2022 para a de Flávio Bolsonaro em 2026.
O Partido dos Trabalhadores (PT) não elegeu nenhum deputado federal em sete Estados nas eleições deste domingo (4). A legenda ficou sem representantes próprios na Câmara em Alagoas, Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Ao todo, o PT elegeu 70 deputados federais para a legislatura que começa em fevereiro de 2027, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar de não ter representantes próprios nesses sete Estados, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 deputados na próxima legislatura. Pela regra eleitoral, os votos das três legendas são considerados conjuntamente para a distribuição das cadeiras, embora os parlamentares permaneçam vinculados aos seus respectivos partidos.
No Acre, por exemplo, o PT não conquistou nenhuma das oito cadeiras destinadas ao Estado. O PCdoB, que integra a federação, elegeu um deputado. No Amapá, a federação também garantiu uma vaga por meio do PcdoB.
A votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuou em 98% dos 5.569 municípios brasileiros no primeiro turno de 2026, na comparação com o desempenho registrado em 2022. No total, o presidente perdeu cerca de 3,4 milhões de votos e passou de 48,43% para 45,16% dos votos válidos.
A queda ocorreu em municípios de diferentes tamanhos e perfis socioeconômicos, mas foi mais acentuada em algumas regiões. Uma das principais áreas de recuo está concentrada em Goiás, no interior de Minas Gerais e no Matopiba, região que reúne áreas do oeste da Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins e tem forte presença do agronegócio.
Em Guarani de Goiás, por exemplo, Lula caiu de 65% para 40% dos votos, uma redução de 25 pontos percentuais. No município, Flávio Bolsonaro (PL) teve 27% e Ronaldo Caiado (PSD), 32%.
Em Cachoeira Dourada (GO), na divisa com Minas Gerais, Lula recuou de 66% para 50%. No mesmo município, Flávio passou de 29%, obtidos por Jair Bolsonaro em 2022, para 41% neste ano.
Outra área de forte queda aparece na Região Sul, especialmente no centro do Paraná, no oeste de Santa Catarina e em grande parte do Rio Grande do Sul.
O resultado das urnas mostrou que as citações no chamado caso Master não foram barreiras definitivas para boa parte da classe política. Entre os investigados ou citados nas apurações da Polícia Federal, figuras de destaque conseguiram sucesso nas eleições.
Na lista dos vitoriosos estão nomes como Jaques Wagner (PT-BA), Hugo Motta (Republicanos-PB), Antonio Rueda (União Brasil-RJ), Nikolas Ferreira (PL-MG), Elmar Nascimento (União-BA) e Mario Frias (PL-SP). Por outro lado, o revés bateu à porta de Ciro Nogueira (PP-PI) e ACM Neto (União Brasil-BA), derrotados nas disputas para o Senado e o governo baiano, respectivamente.
Augusto Cury (Avante) afirmou que pretende se afastar da política após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O candidato falou sobre o futuro em uma entrevista coletiva realizada em Ribeirão Preto (SP), onde acompanhou a apuração ao lado de familiares e do candidato a vice-presidente, Júlio Delgado (Podemos).
Cury também decidiu não declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), que avançaram para a segunda etapa da disputa presidencial. Segundo o candidato, sua intenção é não participar da definição de apoio para o segundo turno.
O ex-candidato afirmou ter “100% de convicção” de que não pretende continuar na política, embora tenha reconhecido que circunstâncias futuras podem alterar essa decisão. Com 99,99% das urnas apuradas, Cury havia recebido 3.448.565 votos, correspondentes a 2,89%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao avaliar o resultado das urnas, Cury declarou respeitar a escolha feita pelos eleitores e destacou a divergência de opiniões como um elemento importante do processo democrático. Ao mesmo tempo, lamentou não ter conseguido colocar em prática as propostas apresentadas durante a campanha.
Cury ainda fez um pedido para que seu nome e o de Júlio Delgado não sejam utilizados por terceiros em eventuais declarações de apoio aos candidatos que disputarão o segundo turno.
"Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno, se é que vai haver segundo turno, e dizendo o seguinte, que ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos. E eu gostaria de me silenciar em relação a isso. Não quero responder nada em relação ao segundo turno, porque para mim isso é completo", declarou.
O PDT não conseguiu superar a cláusula de barreira nas eleições de 2026, resultado que afeta o acesso da esquerda e da centro-esquerda aos recursos do fundo partidário. Além da legenda, a federação Psol/Rede, o Avante e a federação Solidariedade/PRD também ficaram abaixo dos critérios exigidos.
O PDT ficou distante das duas possibilidades previstas. O partido obteve 1,60% dos votos nacionais para deputado federal, abaixo dos 2,5%, e elegeu seis parlamentares, quando precisaria chegar a 13.
A federação Psol/Rede ficou muito perto de atingir a cláusula. Precisava alcançar 1,5% dos votos para deputado federal em nove estados, mas registrou 1,49% no Espírito Santo, ficando a apenas 185 votos do índice necessário.
Também não passaram pela barreira o Avante e a federação Solidariedade/PRD. O Avante, que tinha acesso ao fundo partidário até este ano, elegeu cinco deputados em três estados. Solidariedade e PRD elegeram sete deputados em seis estados, mas a federação não chegou a 2% dos votos válidos para a Câmara.
Entre as legendas de esquerda e centro-esquerda citadas no levantamento, o PSB conseguiu superar a cláusula, apesar de não ter eleito nenhum governador e ter conquistado três vagas no Senado. A federação formada por PT, PCdoB e PV também atingiu os critérios.
No total, dez partidos ou federações superaram a cláusula de barreira, dois a menos do que em 2022: PL, PT/PCdoB/PV, PP/União, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, Novo e Cidadania/PSDB.
O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com 204 pessoas conduzidas pela Polícia Federal e R$ 2,8 milhões em bens e valores apreendidos. Do total, R$ 520,4 mil estavam em dinheiro vivo.
O balanço divulgado pela PF nesta segunda-feira (5) aponta ainda a abertura de 49 inquéritos e o registro de 100 termos circunstanciados de ocorrência durante o domingo (4).
As ações ocorreram em 24 unidades da Federação e no Distrito Federal. Entre os principais crimes investigados estão propaganda eleitoral irregular e corrupção eleitoral, incluindo suspeitas de compra de votos.
Ao longo de 2026, a PF já instaurou 1.337 inquéritos relacionados a crimes eleitorais. As apreensões vinculadas a essas investigações somam mais de R$ 47,5 milhões, sendo aproximadamente R$ 31 milhões em dinheiro.
Segundo a corporação, os valores apreendidos no balanço do primeiro turno ainda são preliminares e passarão por validação.
O deputado federal reeleito Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que não pretende renunciar ao mandato, apesar de ter lançado um desafio público relacionado ao desempenho eleitoral de Renan Santos, candidato à Presidência pelo mesmo partido.
No último sábado (3), durante um ato com apoiadores, Kim havia declarado que deixaria o cargo caso Renan alcançasse 3% dos votos nas eleições, percentual que, segundo ele, era indicado por pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação.
"Eu já vou começar a fazer um desafio para o Datafolha e para a Quaest. Se domingo a gente tiver 3% no Datafolha, eu renuncio o meu mandato na frente da Folha", prometeu na ocasião.
Com a conclusão da apuração, Renan Santos terminou a disputa presidencial com 2,24% dos votos, abaixo dos 3% mencionados por Kim no desafio feito antes da votação.
Diante do resultado, o deputado afirmou que a condição estabelecida por ele não havia sido atingida e explicou por que permanecerá no cargo.
"Eu disse que renunciaria se ele fizesse 3 [%], ele fez 2", justificou.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido vai disputar a presidência do Senado em 2027 e trabalhar pela eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN) para o comando da Casa. Em entrevista ao SBT News, ele também descartou um acordo para apoiar a permanência do atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP).
“O Rogério é o que reúne as melhores condições para ser presidente do Senado, é muito preparado. Nós vamos ter o PP do nosso lado, vamos ter o União Brasil, vamos ter o Republicanos. Nós fazemos maioria lá”, afirmou Valdemar. Questionado sobre uma eventual composição com Alcolumbre, respondeu que o nome do senador está “totalmente descartado”.
A declaração ocorre após o PL eleger 19 senadores neste domingo (4). Com os parlamentares que permanecem no exercício do mandato, a legenda deverá iniciar 2027 com 28 integrantes e será a maior bancada do Senado.
Valdemar afirmou ainda que o PL pretende participar das negociações pela presidência da Câmara e demonstrou resistência a apoiar a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ele, caso o partido fique com o comando do Senado, a negociação com outras legendas poderá envolver abrir mão da presidência da Câmara.
O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, diz que não apoiará nem o senador Flávio Bolsonaro (PL) nem Lula (PT) no segundo turno das eleições.
Renan classificou o seu desempenho como “muito ruim” e disse que o resultado ficou distante das expectativas da campanha. Ele também afirmou que o Missão não atingiu a cláusula de desempenho e que a legenda deverá eleger apenas um deputado estadual e um deputado federal no mesmo Estado.
“Eu não estou nem triste. Você fica triste quando é por pouco, e não foi nem por pouco, foi muito distante do que poderia ter acontecido, foi muito ruim. Apenas muito ruim”, disse.
O candidato afirmou que sua decisão não terá peso sobre a disputa presidencial e liberou os integrantes do Missão para escolherem livremente entre os dois candidatos que avançaram ao segundo turno.
“Façam o que vocês quiserem. (...) A eleição já é do Flávio Bolsonaro”, declarou.
Apesar de não anunciar apoio ao candidato do PL, Renan avaliou que Flávio chega ao segundo turno em vantagem e disse acreditar que o senador deve vencer a eleição.
Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu nesta segunda-feira (5) do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro. A decisão pode alterar o resultado da disputa, já que os votos recebidos pelo ex-governador poderão deixar de ser considerados válidos. Nesse cenário, Douglas Ruas (PL) pode ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos e conquistar a eleição ainda no primeiro turno.
A defesa de Garotinho protocolou o pedido de desistência no TSE às 14h09 de hoje (5). No documento, os advogados afirmam que o ex-governador abriu mão do recurso de maneira "livre, expressa, consciente e irretratável". Em um termo assinado pelo próprio candidato, ele também declara que a decisão foi voluntária e solicita formalmente "o encerramento do recurso".
Os advogados sustentam que a desistência pode ser apresentada sem a necessidade de concordância das demais partes envolvidas no processo. Para fundamentar o pedido, a defesa cita o artigo 998 do Código de Processo Civil e requer que o TSE reconheça a perda de objeto do recurso, adotando as medidas processuais correspondentes.
O processo analisado pelo TSE questionava o indeferimento do registro de candidatura de Garotinho para a disputa pelo governo fluminense. Entre os pontos discutidos estão condições de elegibilidade e uma possível inelegibilidade relacionada à suspensão dos direitos políticos decorrente de ato doloso de improbidade administrativa. O relator do caso é o ministro Floriano de Azevedo Marques.
Garotinho afirmou que tinha consciência de que a retirada do recurso provocaria a invalidação de seus votos e poderia modificar o resultado da eleição.
"Renunciando ao recurso, meus votos serão invalidados e, consequentemente, o candidato desta quadrilha que disputa com o candidato de outra quadrilha deve ganhar, quem vai decidir é o Tribunal", afirmou em uma transmissão ao vivo no Instagram, na tarde de hoje (5).
O ex-governador também declarou que teria tomado a mesma decisão caso Eduardo Paes tivesse terminado a apuração à frente. Garotinho voltou a acusar a Justiça Eleitoral de perseguição e afirmou que seu processo teria sido motivado por "interesses políticos". Sem apresentar provas, também classificou os candidatos que poderiam disputar o segundo turno como "chefes de máquinas poderosas de crime e corrupção".
Questionado sobre a possibilidade de apoiar algum dos concorrentes em uma eventual segunda etapa da eleição, Garotinho foi direto:
"Com nenhum dos dois".
Ele afirmou que não pretende pedir votos para Douglas Ruas ou Eduardo Paes. Apesar disso, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.
O ex-governador ainda criticou o desempenho dos candidatos nas eleições legislativas. Segundo Garotinho, o resultado representou a "consagração dos corruptos", além de fazer acusações contra políticos que conseguiram a reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e para a Câmara dos Deputados.
A retirada do recurso pode ser decisiva para o desfecho da eleição para governador do Rio de Janeiro. Douglas Ruas encerrou a apuração com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) alcançou 42,76%. Garotinho obteve cerca de 3,18% dos votos, que permaneciam "sub judice" enquanto a situação de sua candidatura não fosse definitivamente resolvida.
Com a exclusão dos votos de Garotinho do cálculo, Ruas ultrapassa os 50% exigidos para uma vitória no primeiro turno. Isso ocorre porque a retirada dos votos considerados inválidos diminui o total utilizado como base para calcular a participação percentual dos demais candidatos.