Domingo, 19 de abril de 2026
Um delegado recém-aposentado da Polícia Civil do RN publicou nas redes sociais um texto em que relata críticas à corporação após deixar o cargo, em março de 2026, quando completou o tempo legal para aposentadoria. “A polícia está doente e doença terminal”, escreveu.
No texto, Antônio Pinto afirma ter atuado por mais de duas décadas na instituição e descreve situações que, segundo ele, envolveram perseguições internas, falta de critérios técnicos em promoções e interferências no funcionamento do órgão.
De acordo com o relato, promoções teriam ocorrido com base em apadrinhamento político, enquanto servidores que buscam atuar de forma ética enfrentariam dificuldades e processos administrativos. Ele também menciona ter sido alvo de diversas transferências ao longo da carreira e relata pressões institucionais.
Apesar das críticas, Antônio Pinto afirma que deixou colegas que considera comprometidos com a função pública, mas que estariam fora dos espaços de decisão.
Leia a íntegra abaixo:
Finalmente em março 2026, tendo completado o tempo legal exigido me aposentei da Policia Civil. Confesso que nunca pensei chegar a esse momento devido as sacanagens perpetuadas contra a minha pessoa. Jamais pensei que num órgão público, que deveria se esforçar pela aplicação do princípio da legalidade, houvesse tanto desvio a esse sagrado princípio constitucional.
Quem está fora não tem ideia do que se passa. Ingressei na policia, pode se dizer, sem querer ou por acaso. Confesso que fui pelo dinheiro, pelo salário que oferecia um certo conforto, mas eticamente não valeu a pena.
Me arrependi de ter me desviado dos meus objetivos antes traçados. 21 anos na instituição, dando sangue, suor e lágrima, todas minhas promoções vieram do Judiciário. As vagas são determinados pelo apadrinhamento politico, hierarquia só se for pelo salário.
Mesmo assim há uma pressa em atingir o topo da carreira. Eram exigidos 20 anos no mínimo para classe especial, foi baixado para 18 e já se fala de reduzir para 15 anos. O RN assim será uma mina de ouro para esses jovens concurseiros.
Cansei de ver recém chegados pular para o topo, sem entender o milagre, embora soubesse. Minha ficha funcional é um livro, de tão grosso que é, devido as múltiplas transferências injustificadas. Era só lembrado para carregar pedras, assim cheguei a dirigir quase 10(dez) delegacias no interior, com cobranças do Ministério Público e Judiciário.
Cobranças que na realidade são ameaças. Que se concretizavam nos encaminhamentos a corregedoria, com consequente instauração de procedimento administrativo para expulsão, com aplauso da Direção da Polícia Civil. O intuito era um só, me ver fora da polícia ou me humilhar, só que me subestimaram. Por isso os derrotei.
A polícia está doente e doença terminal, na medida em que, quem tem ética e está disposto a agir corretamente e perseguido, enquanto os malfeitos são agraciados. Quando completei meu tempo, me aposentei de véspera, só aguardando o dia chegar e DEUS me atendeu. Deixei colegas, amigos, grandes delegados, cujos nomes omiti aqui, para o bem deles. Pena que estão fora dos centros das decisões, mas poderiam fazer a diferença , adequar esse tão importante órgão para a segurança do País.


Opinião dos leitores
Desse jeitinho. O sistema é bruto e está em todo lugar. Antes eu tinha a impressão que que todo o poder público era corrompido. Não é mais um impressão.
Perfeitamente, Antonio Pinto, um homem de honestidade e respeito, sem maldade e excelente profissional, trabalhei com o Doutor em Direito na delegacia de Macau, como também na plantão zona norte, sempre pontual, honesto e sem maldade, bastante profissional e seguro nas tomadas de decisões, africano de sangue.
Bartolomeu.
Meu amigo e irmão, Antônio Pinto.. homem digno, competente, honesto e acima de tudo sincero. Conheço há mais de 40 anos na advocacia, nunca mudou sua personalidade. Parabéns amigo por passar em estradas espinhosas, Deus esteve e estará sempre com vc. Do seu amigo e irmão.. S. Filho.
Bom era na época de Robinson que os policiais pediam comida nas ruas
Toda desgraça acompanha os governos do PT,mas daqui a pouco serão despachados,a limpa será grande



Isso não acontece só na Polícia Civil…
Os órgãos públicos estão deixando de ser instituições de Estado, para serem instituições de Governo…
São usadas como moedas de troca, para beneficiar àqueles que acompanham a doutrina do governante…
E quem não segue a “regra” é jogado na vala do esquecimento…
Tenho conhecidos na PC, PM, PF, PRF, UFs e IFs, Tribunais dentre outros que relatam a mesma coisa…
Quando o brasileiro irá acordar e enxergar o que está acontecendo no nosso País???
Triste e lamentável verdade Arthur.