Quarta, 19 de março de 2026
A manifestação ocorreu nesta terça-feira (17/3), quando o magistrado analisou o processo que envolve Josimar Cunha Rodrigues (PL-MA), conhecido como Josimar Maranhãozinho; Gildenemir de Lima Sousa (PL-MA), o Pastor Gil; e João Bosco da Costa (PL-SE), o Bosco Costa. Segundo Moraes, o grupo operava com um modelo estruturado de controle financeiro, com divisão de valores, registros contábeis e mecanismos de cobrança entre os envolvidos.
Ao justificar seu voto, o ministro utilizou uma analogia com o cinema para ilustrar o funcionamento do esquema.
“Parece aqui, presidente [ministro Flávio Dino], que ninguém viu (sic) nem precisava conhecer a história, mas ninguém viu o filme Os Intocáveis? Tinha o Sean Connery, que era um deles, e o principal, que agora me fugiu o nome, Kevin Costner. Mesmo que não conhecesse a história, Al Capone foi pego pelo livro de contabilidade”, disse Moraes, ao mencionar a existência de registros financeiros que evidenciariam as movimentações entre os investigados.
Na sequência, o ministro reforçou a comparação ao afirmar:
“Aqui continuam fazendo a contabilidade, continuam enviando e depositando. Então tem o depósito, tem a contabilidade, tem a prestação de contas. E, assim como a máfia italiana nos Estados Unidos, havia o cobrador e, se começasse a demorar, havia o Pacovan [Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan]. Tinha violência e grave ameaça para cobrança”.
Moraes também destacou que, ao acompanhar o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, ficou evidenciada a existência de uma estrutura organizada com padrão de atuação reiterado, voltada à prática do mesmo tipo de crime — elementos que estão sendo investigados pela Polícia Federal.
O entendimento do ministro foi acompanhado pelos votos de Cármen Lúcia e Flávio Dino, além do próprio relator, formando maioria de 4 a 0 pela condenação dos parlamentares e de outros envolvidos por corrupção passiva. Por outro lado, foi afastada a acusação de organização criminosa apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os condenados estão Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa, além de João Batista Magalhães, assessor ligado a Josimar; Antônio José da Silva Rocha, apontado como operador; e Adonis Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto, também identificados como operadores do esquema. Já Thales Andrade Costa foi absolvido.
O julgamento reforça o avanço das investigações sobre o uso de emendas parlamentares e o papel de intermediários na gestão desses recursos, tema que vem sendo acompanhado de perto pelas autoridades federais.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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