Quarta, 04 de março de 2026
Os peritos Igor de Salles Perecin e Paulo Eduardo Miamoto Dias assinaram o laudo após análise completa da estrutura óssea. Apesar disso, o relatório afirma que não foi possível determinar a causa da morte do animal, deixando a investigação em aberto quanto ao desfecho clínico que levou ao óbito.
Em relação às informações que circularam nas redes sociais e em veículos de comunicação sobre a suposta presença de um prego cravado na cabeça do cachorro, os especialistas foram categóricos:
“Sobre a possibilidade de ter sido cravado um prego na cabeça do animal, veiculada em redes sociais e veículos de comunicação, não foi constatado qualquer vestígio que sustente tal hipótese. A penetração de um prego na cabeça do animal deixaria uma fratura circular em crânio, o que não se verificou”.
Ainda assim, o laudo pondera que a inexistência de fraturas não descarta completamente a ocorrência de agressão. Os profissionais registraram que não é possível assegurar que não tenha havido “ação contundente contra a cabeça” de Orelha. Conforme explicam, “A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo. A literatura especializada afirma que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais a morte.”
O cachorro foi exumado neste mês por determinação do Ministério Público de Santa Catarina, no contexto de investigação que busca esclarecer as circunstâncias da morte. O caso provocou forte repercussão nacional diante da suspeita de que o animal pudesse ter sido torturado por adolescentes.
O documento técnico também esclarece aspectos médicos sobre o trauma cranioencefálico.
“Os primários são os que ocorrem no momento da injúria (fratura, contusão cerebral, laceração, etc); os secundários são mais tardios, podendo aparecer em minutos ou dias (exemplos, edema cerebral, inflamação, aumento da pressão intracraniana)”, registraram os peritos.
Eles acrescentam:
“Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros”.
No momento da exumação, segundo o laudo, o corpo já se encontrava “em fase de esqueletização”, o que comprometeu a análise de tecidos moles. Por essa razão, o exame concentrou-se “à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, com o objetivo específico de identificar eventuais lesões ósseas decorrentes de ação humana.
Durante a inspeção, foi identificada “uma área de porosidade óssea” na região maxilar esquerda do crânio. De acordo com os peritos, trata-se de um processo crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática à qual o animal foi submetido, já que entre a ação traumática e o óbito houve o transcurso de apenas um dia”.
Já na coluna vertebral, foram observadas alterações descritas como comuns “em animais idosos e que nada se relaciona com eventual trauma recente”, afastando, nesse ponto, vínculo com possível agressão recente.
Fonte: Jornal da Cidade Online

Nenhum comentário:
Postar um comentário