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domingo, 31 de agosto de 2025

Os incessantes rumores sobre a queda de Xi Jinping

Domingo, 31 de agosto de 2025



Durante os 13 anos de comando de Xi na China, boatos sobre seu afastamento do poder surgiram repetidamente, mas nunca se concretizaram. Porém, desde o início do terceiro mandato do presidente em 2022, diversos nomes por ele indicados foram removidos de seus cargos, principalmente nas forças armadas, alimentando teorias sobre instabilidade política.

Entretanto, mesmo após erros significativos, como o colapso da estratégia para a Covid-19 em 2022, que resultou em lockdowns generalizados paralisando a economia, ameaçando a estabilidade social e sobrecarregando governos provinciais com dívidas perigosas, o Partido não puniu Xi. Ao contrário, concedeu-lhe um inédito terceiro mandato.

Alguns relatos sugerem que Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central e aliado histórico de Xi, estaria planejando sua remoção. Essas informações, no entanto, provêm de veículos dissidentes no exterior com histórico irregular de precisão. Na mídia estatal chinesa, Zhang é frequentemente descrito como o "camarada de armas mais próximo" de Xi. Ademais, Zhang Youxia foi figura decisiva para que Xi Jinping fosse reeleito líder chinês pela terceira vez, algo que não acontecia desde Mao Tsé-Tung. O general sempre se mostrou subserviente, como prevê a rigidez hierárquica do regime, e por isso mesmo chamou atenção que, em recente reunião plenária do Partido Comunista, Zhang Youxia tenha dado as costas para Xi Jinping e nem sequer o cumprimentado.

Outros acontecimentos incomuns ocorreram nos últimos meses. Entre eles, expurgos no comando do exército de figuras historicamente ligadas a Xi Jinping, sob "suspeita de graves violações da disciplina e da lei", fórmula frequentemente usada para quem caiu em desgraça política. Os expurgos partiram de Xi Jinping? Pode ser. Em regimes ditatoriais comunistas, é comum que a paranoia do chefão acarrete quedas de áulicos que passaram a ser vistos como ameaças. Mas pode ser também que os expurgos tenham sido obra do general Zhang Youxia, o segundo homem mais poderoso da China.

A figura mais sênior supostamente afastada durante o terceiro mandato de Xi é He Weidong, membro do Politburo e vice-presidente da Comissão Militar Central, ausente desde março. Embora significativo, He – reconhecidamente um aliado de Xi – não é considerado parte do círculo íntimo do presidente.

Um indicador mais confiável de problemas para Xi seria o afastamento de aliados próximos como Cai Qi ou Ding Xuexiang. Até o momento, não há evidências de que tais figuras estejam sob ameaça, sugerindo que a posição do presidente permanece sólida apesar dos desafios econômicos e sociais enfrentados pela China nos últimos anos.

Nada disso significa necessariamente que o líder chinês esteja para cair. No entanto, todos esses sinais indicam que algo de anormal está em curso em Pequim - e o crescimento mais lento da economia, a insatisfação dos jovens com a falta de perspectivas e a guerra comercial que Donald Trump move contra o país certamente não contribuem para a estabilidade de Xi Jinping no poder.

Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.

fonte: Jornal da Cidade Online

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