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domingo, 18 de janeiro de 2026

A reação dos auditores da Receita Federal ao novo inquérito de Moraes sobre a violação do sigilo de ministros

Domingo, 18 de janeiro de 2026



A investigação surgiu após publicações jornalísticas revelarem conexões entre familiares de ministros do STF e o Banco Master, instituição investigada na Operação Compliance Zero por supostas fraudes. O jornal O Globo mostrou que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre, foi contratada por R$ 3,6 milhões mensais para serviços jurídicos ao banco. A Folha de S.Paulo noticiou que empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, relator da Operação Compliance Zero, tiveram participação de um fundo de investimentos supostamente usado nos esquemas do Banco Master.

O procedimento tem como alvo a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O STF informou que não há detalhes a serem fornecidos no momento. Apurações indicam que todos os onze ministros da Corte teriam sido alvo de investigação não autorizada.

Servidores da Receita Federal mantêm silêncio sobre o assunto e evitam discussões nos grupos de WhatsApp da categoria. Em conversas privadas, estabelecem paralelos entre este caso e o inquérito das fake news, também aberto diretamente pelo Supremo e que continua em andamento após quase seis anos.

Em 2019, dois auditores foram temporariamente afastados por ordem de Alexandre de Moraes sob acusação semelhante à atual: suposto envolvimento na quebra indevida de sigilo fiscal de membros do STF. Na ocasião, o ministro identificou "claros indícios de desvio de finalidade" em uma apuração da Receita Federal que envolveu 133 pessoas, incluindo o ministro Gilmar Mendes e Roberta Rangel, esposa de Toffoli.

Segundo Moraes, o procedimento investigativo "sem critérios objetivos de seleção, pretendeu, de forma oblíqua e ilegal investigar diversos agentes públicos, inclusive autoridades do Poder Judiciário, incluídos ministros do Supremo Tribunal Federal, sem que houvesse, repita-se, qualquer indício de irregularidade por parte desses contribuintes". Em novembro de 2019, após os depoimentos, a medida foi revogada e os auditores retornaram às suas atividades.

Um auditor experiente e respeitado, sob anonimato, afirmou que eventuais procedimentos irregulares e vazamentos devem ser investigados, mas questionou a metodologia adotada para a abertura do inquérito no STF. O servidor considera que o procedimento adequado seria formalizar uma denúncia junto à Procuradoria-Geral da República. O temor é que esta nova apuração se estenda por tempo indeterminado, como ocorre com o inquérito das fake news.

Fonte: Jornal da Cidade Online

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