Sexta, 09 de janeiro de 2026
Os contratos incluíam cláusulas de confidencialidade rigorosas para que as publicações parecessem manifestações espontâneas, ocultando sua natureza comercial. Para um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores, a oferta alcançou R$ 2 milhões por três meses de trabalho, exigindo oito publicações mensais contra a atuação do Banco Central. Um perfil com menos de 500 mil seguidores recebeu proposta de R$ 250 mil pelo mesmo período e quantidade de conteúdos.
Dois influenciadores que avançaram nas negociações confirmaram que a Agência MiThi figurava como contratante final. Miranda, que possui 10% de participação no Grupo Leo Dias, teria efetuado pagamentos diretamente de sua conta pessoal, segundo comprovantes bancários analisados durante a apuração.
O empresário Flávio Carneiro aparece como sócio majoritário do mesmo grupo, controlando 60% do capital. Leo Dias, quando procurado, afirmou que a Agência Mithi não mantém vínculos com seu portal e que Miranda deixou a direção do grupo em junho de 2025, embora permaneça como sócio minoritário.
O deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP), conhecido por criticar a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central, disse ter sido abordado pelo esquema, mas recusou prosseguir.
"Quando me dei conta de que a única figura do mercado que poderia estar em busca de uma gestão de crise naquela data era o Daniel Vorcaro, eu imediatamente cortei contato", declarou o parlamentar.
Siqueira acrescentou:
"Só tive a confirmação de que se tratava do Banco Master com a divulgação das propostas na imprensa, que eram idênticas e envolviam os mesmos interlocutores".
Um print fornecido pelo deputado mostra que em 21 de dezembro ele recebeu mensagem via Instagram do publicitário André Salvador, vinculado à UNLTD Brasil, agência especializada em perfis de direita.
As abordagens seguiam padrão semelhante, com intermediação de Junior Favoreto, do Portal Group Br, e André Salvador. Ambos apresentavam inicialmente um "projeto de comunicação" envolvendo "gestão de crise de um executivo do mercado financeiro", sem revelar a identidade do cliente ou valores, que só seriam divulgados após assinatura de um "NDA", acordo de confidencialidade.
Fonte: Jornal da Cidade Online

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