Domingo, 21 de junho de 2026
Gilmar gastou um terço de seu voto de quase 80 minutos comparando a Compliance Zero com a Lava-Jato — seu bode expiatório preferido. A comparação é conveniente e seletiva. O mesmo ministro que jamais questionou a prisão preventiva de quatro meses do tenente-coronel Mauro Cid, nem as cinco mudanças de versão em depoimento, nem os áudios vazados em que Cid afirma ter sido obrigado a atender à "narrativa pronta" do juiz-investigador, agora enxerga abuso processual na Compliance Zero.
Henrique Vorcaro fez muito pior que Cid. Para Gilmar, é um injustiçado.
Malu Gaspar expõe o roteiro com clareza: primeiro, questionamentos que abram caminho para nulidade processual formal — já que os crimes são incontestáveis. Depois, suspeitas sobre a isenção dos investigadores. Por fim, derrubada de sentenças até que todos estejam livres.
A máxima brasiliense que define a operação é precisa: "Estado de Direito é aquele que pune meu inimigo. Quando pune meu amigo, é Estado policialesco."
Mendonça entendeu o jogo — e blindou o inquérito exatamente para que esse roteiro não funcionasse desta vez.

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