Quarta, 30 de setembro de 2026
O narcotráfico e o consumo de drogas ilícitas geram um prejuízo global estimado em centenas de bilhões de dólares anuais e são responsáveis por aproximadamente 600 mil mortes por ano no mundo. Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) a expansão do mercado de drogas sintéticas e o fortalecimento de facções criminosas têm agravado os custos de saúde, segurança e economia global. Na prática, são milhões de famílias destruídas e um sistema que se retroalimenta com recursos do crime.
O Escudo das Américas, uma coalizão de segurança criada em março de 2026 sob a liderança de Donald Trump, é uma iniciativa para justamente tentar frear o avanço do narcoterror. A aliança reúne 19 países latino-americanos e caribenhos em torno de uma agenda comum de combate ao crime organizado, ao narcotráfico, à imigração irregular e à influência de potências externas na região, especialmente a China. Os países que integram a aliança são: Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago; além dos Estados Unidos.
Brasil e México, as duas maiores economias da América Latina e comandados por governos de esquerda, foram contra a iniciativa e decidiram não aderir ao acordo, apesar de abrigarem organizações criminosas de grande porte em seus territórios.
Em setembro de 2026, o Escudo das Américas divulgou uma declaração conjunta designando 24 facções criminosas como narcoterroristas. Entre elas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores organizações do crime organizado brasileiro. A lista inclui também cartéis de países como México, Venezuela e Equador. As medidas previstas incluem o congelamento de ativos, restrições de vistos e imigração para pessoas ligadas a esses grupos, e a responsabilização de quem oferecer apoio material ou logístico.
O documento também propõe levar o tema à Organização dos Estados Americanos (OEA) e discute a possível reativação do Tratado Interamericano de Assistência Mútua (TIAR), um acordo da Guerra Fria que trata agressão a um país do continente como agressão a todos.
‘Nossos criminosos’
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou que a declaração do Escudo das Américas extrapola o combate ao crime organizado e abre brecha para ampliar a influência norte-americana na América Latina.
A leitura no Palácio do Planalto é de que o texto é muito grave e funciona como porta de entrada para uma reedição da doutrina Monroe. Há o entendimento de que o crime organizado é só o 1º tema a ser tratado dessa forma, abrindo precedente para Washington interferir em outras pautas estratégicas regionais, como a regulação de big techs, a presença chinesa na infraestrutura local e o controle sobre minerais críticos.
Horas antes de a declaração ser divulgada, Lula já havia respondido ao tema na abertura da Assembleia Geral da ONU. Disse que o Brasil tem seus próprios instrumentos contra o crime organizado – caso da Lei Antifacção e da operação Carbono Oculto – e rejeitou qualquer papel externo na segurança das fronteiras brasileiras.
Fonte: Jornal da Cidade Online




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